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O Brasil está na mira de Wall Street

Ao comentar a situação político-econômica do Brasil, Moniz Bandeira afirma que ‘Wall Street está por trás da crise brasileira’.


Sputnik Brasil

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De acordo com o cientista político Moniz Bandeira, professor aposentado da Universidade de Brasília e que há mais de 20 anos vive em Heidelberg, na Alemanha, “o objetivo das ações externas contra o Brasil é quebrar a economia e comprar as empresas estatais a preço de banana”.

Em entrevista exclusiva à Sputnik Brasil, Moniz Bandeira fala das ameaças imperialistas e também das questões de ordem política relacionadas à possível instauração de um processo de impeachment contra a Presidenta Dilma Rousseff. Para ele, está em curso um golpe no Brasil “que deve ser contido para não produzir graves consequências para a História do país”.

“É difícil precisar quais são os interesses”, diz o cientista político de Heidelberg. “Mas são interesses estrangeiros, eu creio, em grande parte, de Wall Street e através de outras entidades como The National Endowment for Democracy, USAID e outros que estão incentivando esse golpe no Brasil, aliados às forças internas da direita.”

Sputnik: O objetivo seria quebrar a economia e comprar as empresas brasileiras a preço de banana?

Moniz Bandeira: Exatamente, isso é verdade. Eles querem quebrar a economia brasileira – e é aí que eu vejo mais a ação de Wall Street – e comprar as empresas, como estão fazendo, a preço de nada, com o real desvalorizado a esse ponto.

S: Nós podemos acreditar, então, que o Brasil está na mira de Wall Street?

MB: Está na mira, claro, porque a questão não é só o Brasil, é internacional, é a luta contra a Rússia e a China, mas eles não podem muito contra a China. E querem derrubar a Rússia através da Síria e da Ucrânia. São duas frentes que os Estados Unidos abriram, porque a luta na Síria não é tanto por democracia, isso é bobagem, os EUA não estão se importando com isso. Eles querem mudar o regime para tirar a Base Naval de Tartus e também um ponto em Latakia, ambos da Rússia.

S: Voltando ao Brasil. O senhor entende que o país voltará a sofrer assaltos especulativos?

MB: É muito complicada a situação aí. Eu não estou certo de nada a respeito do Brasil, é muito difícil. Porque é muito difícil também dar um golpe – um golpe civil como eles querem. As Forças Armadas estão contra o golpe. Elas são um fator de resistência nacionalista no Brasil, assim como o Itamaraty.

S: O senhor disse que há órgãos no exterior financiando a grande mídia no Brasil. A mídia, ao pregar o golpe, facilita a entrada das grandes corporações internacionais em prejuízo das empresas brasileiras?

MB: Claro, sobretudo no setor de construção, que tem sido alvo principal desse inquérito, que, aliás, é inconstitucional, é tudo ilegal. O objetivo é destruir as grandes empresas brasileiras, as construtoras que são fatores de expansão mundial do Brasil, e permitir que entrem no mercado brasileiro as multinacionais americanas.

S: O senhor entende que as agências de inteligência dos EUA continuam a espionar a Presidenta Dilma Rousseff e as grandes empresas estatais do país?

MB: Claro, nunca deixaram de espionar. Espionam no Brasil e em todos os países. Se você ler meu livro “Formação do Império Americano”, publicado há dez anos, você verá como eu mostro isso documentado. Já no tempo de Clinton faziam isso. Não há novidade nenhuma na atuação dos EUA. Eu estudo essa questão dos EUA há muitos anos. Acompanhei de perto toda a problemática de Cuba. Estou com 80 anos, desde os meus 20 anos eu assisto a isso que eles fazem na América Latina.

S: O senhor fala em golpe em curso no Brasil. Qual a sua impressão, esse golpe pode ir avante?

MB: Tanto pode como não pode. As possibilidades são muitas. Ontem mesmo o Supremo Tribunal Federal tomou uma medida constitucionalmente correta, que foi anular essa comissão constituída na Câmara por meio de manobras. O que existe é uma luta de ratos e ladrões, um bando, uma gangue, montada pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha, contra uma mulher honrada e honesta como a Presidenta Dilma Rousseff, com todos os erros que ela possa ter cometido. Não há motivo legal nem constitucional para o impeachment.

S: A Presidenta Dilma Rousseff conseguirá superar todas essas dificuldades políticas e concluir o seu mandato em 31 de dezembro de 2018?

MB: É muito difícil avaliar a evolução da situação, porque ela é ruim internacionalmente. A situação internacional é muito ruim. Eu disse, em 2009, quando recebi o título de Doutor Honoris Causa da Universidade Federal da Bahia, que uma potência é muito mais perigosa quando está em decadência do que quando conquista o seu império, e os EUA são uma potência em decadência. São muito mais perigosos do que antes.

Créditos da foto: wikipedia
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Permuta de presos sugerida por New York Times esquenta debate sobre diplomacia entre Cuba e EUA

 

Marcela Belchior

Mais uma vez, o jornal de maior prestígio da mídia comercial nos Estados Unidos, o The New York Times (NYT), se manifesta publicamente em favor da retomada das relações políticas entre Cuba e Estados Unidos. No último domingo, 02 de novembro, o editorial da publicação sugeriu permuta entre o prisioneiro estadunidense Alan Gross, que vive em cárcere cubano desde 2009, e três cidadãos cubanos que estão presos há mais de 16 anos nos EUA. Somente no último mês de outubro, o diário publicou três editorais em defesa da normalização das relações entre os dois países.

Para realizar a permuta, o governo do presidente Barack Obama teria de suspender o restante da condenação dos réus cubanos nos EUA. “Essa ação seria justificável se considerar-se o longo período em que estão presos, as críticas válidas que surgiram a respeito da integridade do processo judicial que enfrentaram e os possíveis benefícios que uma permuta poderia representar para conquistar uma aproximação bilateral”, defende o jornal.

Gerardo Hernández, Ramón Labañino e Antonio Guerrero fazem parte dos chamados “Cinco Heróis Cubanos”, que foram presos em Miami (Estado da Flórida) em 1998 e condenados em 2001 por delitos relacionados à Segurança Nacional dos EUA, dentre eles crime de conspiração para espionar o governo estadunidense. Desde a sua condenação, uma campanha internacional pede que sejam libertados. Nos EUA, existe o Comitê Nacional para Libertar os Cinco Cubanos, representado em 20 cidades do país e em outros 30 países. Em Cuba, eles são considerados heróis nacionais e vistos como tendo sacrificado sua liberdade em defesa de seu país.

Dois deles, Fernando González Llort e René González já regressaram a Cuba após cumprir integralmente suas penas. Considerado o líder dos agentes cubanos, Gerardo Hernández foi condenado a prisão perpétua. Ele é acusado de conspirar com autoridades cubanas para derrubar aviões operados por grupos de exilados que costumavam distribuir folhetos sobre a ilha incitando revolta contra o governo cubano. O retorno de Hernández ao país socialista seria prioridade para o presidente cubano, Raúl Castro.

Já Alan Gross era contratado pela Casa Branca para trabalhar em um projeto sigiloso no território cubano. No ano de 2009, ele viajou à capital Havana por cinco vezes, sob a coordenação da empresa privada Development Alternatives Incorporated(DAI), que tinha contrato com a Agência de Desenvolvimento Internacional dos Estados Unidos (United States Agency for International Development, Usaid). Fingindo ser turista, ele transportou, furtivamente, equipamentos de comunicação. Gross foi condenado pelo governo cubano a 15 anos de prisão por atentar contra a integridade do Estado.

Durante os primeiros meses de sua detenção, representantes da ilha sugeriram estarem dispostos a liberarem o estadunidense se Washington suspendesse os projetos cuja finalidade fosse destituir o atual governo cubano. Entretanto, as negociações não prosperaram. Para o NYT, a conquista da liberdade de Gross só teria um caminho viável: a repatriação dos três agentes cubanos. “Ainda que um crescente número de líderes em Washington e Havana pareça estar ansioso por começar a normalizar a relação entre os países, o caso de Gross se converteu no principal obstáculo para alcançar um avanço diplomático”, justifica.

“Para além dos méritos estratégicos de uma permuta, a administração tem um dever de fazer mais por conseguir a libertação de Gross. Sua prisão ocorreu como consequência de uma estratégia irresponsável. (…) Se Gross morre sob custódia, a possibilidade de estabelecer uma relação mais saudável com Cuba desaparecerá por vários anos”, acrescenta o jornal. Além disso, o NYT argumenta que a retomada dos laços diplomáticos entre os países geraria aos EUA oportunidades de expansão do comércio, turismo e maior contato entre cidadãos cubanos e estadunidenses.

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José María Aduviri

El gobierno de Evo Morales, en un gesto por mantener su soberanía, ha expulsado justamente a la principal agencia subversiva norteamericana de tierras bolivianas. Me refiero a la USAID. Esta agencia tiene un largo historial de acciones subversivas contra gobiernos progresistas en América Latina, amparado en supuestos programas de desarrollo económico. Leia o resto deste post

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