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O Dr.Arnais não vira manchete, como a Dra. Ramona. Mas é muito mais importante

 

31 de março de 2014 | 10:44 Autor: Fernando Brito

arnaisalbriza

Folha publicou, no final de semana, matérias relacionadas a um seminário sobre Saúde promovido pelo jornal.

Uma delas merece que a gente a destaque aqui, como homenagem a um estrangeiro que faz mais por nosso povo do que muitos nacionais está disposto a fazer.

É o médico cubano Arnais Albriza, que atende os moradores do pobre bairro recifense da Mustardinha, uma comunidade de 13 mil pessoas carente de tudo.

Não é a nacionalidade – e nem mesmo a dedicação – dos médicos que terá o condão de resolver todos os problemas de saúde no Brasil.

Mas o caso do Dr. Albriza, em lugar da Dra. Ramona Rodrigues – aquela que saiu de Pacajás para tentar ir para Miami e virou heroína da direita –  que deveria chamar a atenção do país, ocupar espaços na imprensa e mobilizar as nossas entidades médicas.

Assim, talvez, o reconhecimento social de profissionais essenciais para a população pudesse se dar por coisas mais relevantes que automóveis, roupas, apartamentos.

Cubano do Mais Médicos vira celebridade na periferia do Recife

Daniel Carvalho

Nas ruas da Mustardinha, bairro pobre da zona oeste do Recife, o cubano Arnais Albriza, 44, é uma celebridade. No Brasil pelo programa Mais Médicos, ele é abordado a todo instante pelas estreitas passagens da comunidade.

Desde novembro de 2013, Albriza atende até 30 pacientes por dia. “Estava fazendo falta um médico assim”, diz Edileuza das Neves, 59, dona de um bar no bairro.

Segundo a prefeitura, o cubano entrou no lugar de uma médica que faltava com frequência por problemas de saúde e está licenciada.

Albriza agora é o médico da estudante Taís Nunes, 17, do marido e da filha do casal, Talita, de dez meses.

“Foi um alívio quando ele chegou. Na primeira vez, só foi um pouco difícil de entender o que ele dizia, mas hoje já é tranquilo. Me sinto mais segura tendo ele aqui”, afirma a estudante.

No posto, o médico reclama apenas da falta de material para procedimentos como drenagem de abscessos.

Ao descobrir que ganharia bem menos que colegas do programa, Albriza disse ter tomado um susto. Ele afirma, no entanto, que nunca pensou em deixar o Mais Médicos ou sair do Brasil, como alguns de seus conterrâneos.

Enquanto médicos de outras nacionalidades recebem R$ 10 mil mensais, os cubanos vão receber, a partir deste mês, US$ 1.245 (R$ 2.878) no Brasil -antes, ganhavam US$ 400 (R$ 924) no Brasil e US$ 600 (R$ 1.386) em Cuba.

Questionado se se considera um “escravo”, como associações de medicina qualificaram os cubanos do programa, o médico especialista em saúde da família, pequenas cirurgias e oncologia nega.

“Quem não adora a profissão fica falando de salário, de dinheiro”, diz o médico, que afirma ter em Cuba acesso gratuito a saúde e educação.

Albriza, que deixou em Cuba a mulher e três filhos, deve ficar no Brasil por três anos. No ano que vem, pretende trazer a mulher a passeio –ele diz ter permissão para receber um familiar por ano, durante dez dias.

Esta é sua segunda missão internacional. Entre 2007 e 2011, esteve na Venezuela. “Digo aos meus filhos [os mais velhos têm 9 e 16 anos] que aqui tem muita criança e que estou cuidando delas.”

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