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15 anos do Fórum Social Mundial: outro mundo é possível e necessário

 

Fórum Social Mundial 2016Fórum Social Mundial 2016

O Fórum Social Mundial surge em 2001 como uma importante articulação de resistência e luta dos povos contra a avalancha neoliberal que tomou conta do mundo nos anos 1990. Faz o contraponto ao Fórum Econômico de Davos, reunião anual da plutocracia capitalista, laboratório das políticas neoliberais impostas aos povos e nações.

Por André Tokarski*

A próxima edição do Fórum acontece em boa hora. O temário geral proposto, “Balanço, desafios e perspectivas da luta por um outro mundo possível”, no momento em que se celebram 15 anos de FSM, pode construir leituras convergentes e ações unitárias nesse momento de enfrentamento da grave crise capitalista e da ofensiva reacionária no Brasil e na América Latina. O exercício didático de recompor o quadro geopolítico e econômico e as lutas dos movimentos sociais em 2001, ano da primeira edição do FSM, e confrontá-lo com a atual conjuntura no Brasil e no mundo, 15 anos depois, para além de fazer um balanço do FSM em si, revela que um outro mundo, anticapitalista e de paz, não é só possível, mas também necessário.

A realização da primeira edição do Fórum em Porto Alegre não foi aleatória. Os anos 1990 e o início dos anos 2000 foram tempos de intensa luta no Brasil e em toda América Latina, contra a implementação das políticas neoliberais. Os movimentos sociais brasileiros vinham embalados pela realização da “Marcha dos 100 mil” em Brasília e das inúmeras lutas contra as privatizações, o desmonte do Estado, o desemprego e as péssimas condições de vida que atingiam a grande maioria do povo. As lutas travadas em solo brasileiro chamavam atenção em todo o mundo. Naquele janeiro de 2001, Davos reunia o conclave do capitalismo imperialista e neoliberal, Porto Alegre virava a capital dos povos em luta de todo o mundo.

Em meio a tamanha diversidade de opiniões e ideias que circularam ao longo desta rica experiência, duas bandeiras importantes são elemento de unidade no Fórum e permanecem atuais: a luta por construir uma alternativa ao capitalismo e a defesa da paz e da autodeterminação dos povos.

Ao longo de 15 anos o Fórum passou pelo Brasil, Índia, Venezuela, Quênia, Senegal, Tunísia e chegará ao Canadá em agosto deste ano. O processo de construção e mobilização do FSM se relacionou diretamente com os principais acontecimentos políticos vividos na América Latina neste período.

A eleição de Lula em 2002 ajudou a embalar uma série de vitórias eleitorais de forças progressistas e de esquerda em todo o continente latino-americano. Brasil, Venezuela, Argentina, Uruguai, Bolívia e Equador, ao lado de Cuba e de outros países da América Central e Caribe, constituíram um polo alternativo ao neoliberalismo, promovendo vultuosas transformações sociais, econômicas e políticas ao lado de um inédito processo de integração solidário e soberano.

O FSM ajudou a projetar o papel de Lula e do Brasil como líder global dos países pobres e em desenvolvimento. No Fórum de 2003, Porto Alegre viu mais 100 mil pessoas marcharem contra a Alca, o FMI e guerra no Iraque. Um chamado do FSM ajudou a construir grandes mobilizações contra a invasão militar norte-americana no Iraque. A luta contra a Alca também ganhou força, até ser definitivamente sepultada em novembro de 2005, na Cúpula da Américas, em Mar del Plata, Argentina, com a presença dos então presidentes Lula, Hugo Chávez e Néstor Kirchner. Ao invés da histórica submissão às grandes potências, hora rendidos à Europa, hora aos interesses norte-americanos, a derrota da Alca foi o nascedouro de alianças soberanas entre os países latino-americanos e da perda de poder dos EUA em nossos territórios. Ali estava contido o embrião da Unasul, da Celac (Comunidade de Estados Latino-americanos e caribenhos) e de uma nova etapa do Mercosul.

Olhando apenas para a América Latina, o balanço das lutas travadas no FSM é extremamente positivo. Uma ideia geral pode sintetizar o conjunto da obra e colocar no primeiro plano marcas e signos desse período: houve melhora significativa em todos os indicadores sociais e econômicos onde ocorreram vitórias eleitorais de forças populares, democráticas ou revolucionárias.

Mas os desafios e perspectivas apontam para uma alteração na correlação de forças do continente, com uma tendência de fortalecimento da direita reacionária. Tal mudança está imbricada com a evolução e agravamento da crise internacional do capitalismo, de curso ainda indefinido. As grandes potências, representantes da oligarquia financeira, são as causadoras da crise e tentam transferir os prejuízos desta para os trabalhadores e para as nações em desenvolvimento, atacando os direitos trabalhistas e impondo pacotes de austeridade fiscal cujos únicos beneficiários são os bancos e o mercado financeiro. Esse processo se desenvolve por uma intensa e complexa batalha que se expressa no campo político, econômico e militar.

Ao traçar um paralelo entre a crise de 1929 e a atual crise nota-se, em sua gênese, a desregulamentação do mercado financeiro, a redução dos salários, o desemprego em massa, o ataque à democracia e o surgimento de expressões políticas de ódio e da intolerância. Em 1929, o resultado foi a ascensão do nazi-fascismo e a 2ª Guerra Mundial. Hoje, observamos manifestações exasperadas de ódio, racismo e xenofobia, além de uma escalada de agressões militares e de violações dos direitos humanos por parte das grandes potências.

A agenda neoliberal não foi capaz de recuperar a atividade econômica no mundo a patamares anteriores ao período da crise. Se fracassou no campo econômico, parece triunfar na esfera política. Os estados nacionais operam sob estreita margem de manobra tendo seu poder cada vez mais reduzido diante da onipotência dos mercados financeiros. É preciso recuperar a primazia da política e romper com o dogmatismo neoliberal, de que não há outra saída, senão praticar planos de austeridade e retirar direitos sociais.

Mais uma vez o Fórum Social Mundial é chamado a construir a unidade dos povos na luta anticapitalista, em defesa do progresso social e da paz. Os movimentos sociais brasileiros têm cumprido um papel decisivo. Realizamos ao longo do ano de 2015 mobilizações unitárias e crescentes em defesa da democracia – contra a tentativa golpista de sacar Dilma da Presidência da República –, em defesa dos direitos sociais e por uma nova política econômica, capaz de retomar o desenvolvimento e a geração de empregos.

Cabe aos participantes do FSM e, em especial, à Assembleia de Movimentos Sociais, que será realizada no dia 23/1, no encerramento do Fórum, a construção de lutas unitárias para enfrentar a crise do capitalismo, as crescentes agressões militares das forças imperialistas e a ofensiva da direita da América Latina. Merece atenção e solidaridade de todas as forças democráticas e progressistas os ataques sofridos pelos governos de Dilma, no Brasil, e Nicolas Maduro, na Venezuela, por parte da direita golpista e reacionária destes países.

*André Pereira R. Tokarski foi presidente nacional da UJS (2010/2014), atualmente é secretário de Juventude e de Movimentos Sociais do PCdoB

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Página 12′: “Não vão privatizar a Petrobras”

Francisco Soriano, diretor da Sindipetro-RJ, deu entrevista para jornal argentino.

O jornal argentino Página 12 publicou nesta terça-feira (19), entrevista com Francisco Soriano, diretor da Sindipetro-RJ. O economista observa que, apesar das crises internas e externas no Brasil, no ano passado, a Petrobras aumentou a sua produção em quase cinco por cento.

“Eles não vão ser capazes de privatizar a Petrobras “, diz Soriano, que apóia sua afirmação com números:  “Apesar da crise interna e externa, no ano passado, a produção aumentou quase 5 por cento, o equivalente a 2,1 milhões de barris por dia, e superou as previsões do planejamento da empresa, com uma excelente performance na área de pré-sal (águas ultraprofundas) “.

P: Os analistas dizem que a Petrobras passará por reformas. É verdade?

R: A opinião deles é pura especulação. A verdade é menos dramática. A Petrobras é uma empresa bem sucedida, mesmo após os últimos problemas, o que eles querem há muitos anos é a privatização. Mas não se pode usar a desculpa de que está quebrado, porque a cada mês está aumentando sua produção e, mais importante, foram cerca de 1 milhão de barris extraídos de poços na área do “pré-sal” (poços descobertos a partir de 2007). Isso substitui o que a mídia disse e as agências internacionais anunciaram, de que não seria possível extrair um bruto rentável tão profundamente, e que seria necessário uma tecnologia muito cara e sondas. Mas nós fizemos. O petróleo poderia estar até a mais de 5000 metros de profundidade, porque temos engenheiros e tecnologia reconhecidos em todo o mundo.

P: Pré-Sal é a joia da coroa?

R: Sim, estamos falando ao equivalente comprovado de 90 bilhões de barris de óleo e nossos engenheiros consideram esse valor de reservas “possível”, podendo inclusive dobrar, triplicar, ou quem sabe até mais. Eles são muito procurados por outras empresas de países centrais onde há insuficiência de recursos, o que torna o nosso litoral uma zona econômica muito visada. Esta não é a única riqueza, estamos falando de questões geopolíticas, e quando o pré-sal foi descoberto, os Estados Unidos ordenou a volta de suas frotas para a costa do Rio de Janeiro, onde estão localizados os campos de extração.

P: Até onde chega a pressão dos EUA?

R: A Petrobras vem sofrendo  vários ataques externos através de associações dos Estados Unidos com grupos de nosso país. É uma grande engrenagem. Falamos de poderosos lobbies estrangeiros, onde os Estados Unidos e seus serviços de inteligência como o NSA (Agência de Segurança Nacional dos EUA) faz ou tenta fazer acordos com grupos no Brasil, compostos de empresários e agentes do setor financeiro, além dos políticos interessados no impeachment da presidente Dilma.

P: A disputa da Petrobras explica o impeachment?

R: São enormes os interesses na queda de Dilma. A presidente não tinha o menor envolvimento com petróleo, até supervisionar a nova lei sobre o óleo. Isso foi depois do leilão de espionagem da NSA. Nos leilões e concessões, os EUA se sentiram prejudicados. A partir deste fato, tudo mudou.

P: Foi um escândalo tão grave, a ponto da NSA invadir a privacidade de comunicação da presidente da Petrobras? Essa informação pode ter sido usada para atacar a Petrobras? Desculpe, mas acho que essa pergunta deve ser feita.

R: O presidente Barack Obama pediu para entregar a informação de que a NSA foi roubado, fato nunca antes contestado e bastante raro. O caso se agravou depois que Dilma recusou um convite de Obama para visitar seu país, no final de 2013.

P: O Ponto central é a lei do petróleo?

R: As empresas internacionais perderam toda a esperança depois que o governo sinalizou que não voltaria atrás com relação a lei do petróleo. Haverá muitas críticas a presidente, mas eu acho que ela não vai ceder para retornar a lei submissa de Fernando Henrique. No governo de FHC, aconteceram várias situações para se impor o sistema de concessões solicitadas pelas multinacionais. As Forças Armadas ocuparam refinarias e houve uma pesada repressão contra os trabalhadores. Aconteceram muitas demissões no setor de petróleo. Cardoso veio como um trator contra o movimento sindical, suspendendo fontes de financiamento absolutamente legais.

P: O que você acha que deveria mudar na lei atual?

R: Os EUA querem mudar a legislação que vem do segundo mandato de Lula (2007-2011), para ter acesso às nossas reservas. O ponto? Se houver mais leilões e concessões, o regime será restaurado, chegando ao ponto da era de FHC, quando Shell, British Petroleum e Chevron ganharam um campo com direito de exploração de óleo. Agora isso não acontece mais porque temos o regime de participação.

P: Qual a diferença central?

R: Leilão. Agora a lei exige que, mesmo quando se ganha uma extração de petróleo estrangeiro, deve ser feita com a Petrobras e a Petrobras decide o quanto pode ser removido. Agora, as multinacionais não podem fazer a extração ao modo deles, nem a qualquer momento. O petróleo é agora tratado como um ativo estratégico não renovável, fundamental para o desenvolvimento da indústria de energia e do país em geral.

Declínio

As ações da Petrobras caíram 7 por cento nesta segunda-feira (18) na Bolsa de Valores de São Paulo, sendo negociados a menos de cinco reais, valor mais baixo desde 2003. Na entrevista com Pagina 12, o diretor da Sindipetro-RJ minimizou a importância dos “altos e baixos do mercado de ações”, porque o “verdadeiro negócio é saudável, e se ocorrer mais oscilações, com queda contínua no preço do barril, podemos contar com a ajuda do governo brasileiro ou de nossos parceiros do Brics, como por exemplo, a China, que já investiu pesadamente”.

A Petrobras anunciou uma redução de 32 bilhões de dólares em investimento. Se faz necessário esclarecer que não é por um ano, e sim pelo período de 2015 a 2019, e que os investimentos serão de 98 bilhões, e a medida não afetará os campos da área do pré-sal.

P: Será que haverão demissões devido à crise?

R: O que está acontecendo é a demissão de trabalhadores terceirizados. temos mais de 80 mil funcionários. O país inteiro, para não falar do mundo, vive um momento de recessão em todo os setores e isto leva ao desemprego.

Macri: primeiro mês de governo marcado por repressão e demissões

Nesses poucos dias, a elite argentina demonstrou que é incapaz de abandonar seu papel de ‘classe dominante’, com repressão e enriquecimento oligárquico.

Por :Hernan Brienza

Casa Rosada

Depois de um mês de governo, Macri registrou um recorde difícil de superar em democracia: tem o mais alto índice de medidas antipopulares dos últimos 30 anos: desvalorizou o peso para favorecer os exportadores, gerou mais inflação, desvalorizou os salários dos trabalhadores em pelo menos 40%, despediu empregados públicos, iniciou um processo de endividamento que, como sempre, levará os contribuintes argentinos a pagar milhões e milhões no futuro, abandonou os inundados do litoral fazendo o Estado desaparecer (por sorte foram salvos pela solidariedade civil), reprimiu os protestos sociais com uma brutalidade que não era vista desde a ditadura militar, deixando trabalhadores feridos com balas de borracha, porque eles simplesmente reclamavam por seus postos de trabalho. Mais que isso, ele também quebrou a institucionalidade, burlando o Congresso, nomeando dois juízes da Corte Suprema a dedo (e com o dedo de Héctor Magnetto, o dono do Grupo Clarín), violou a Lei de Meios ao seu bel prazer, interveio na AFSCA como se fosse um golpe militar, mudou a matriz arrecadatória beneficiando os exportadores e prejudicando as classes baixa e média, taxando mais os serviços públicos, pondo em sério perigo o déficit fiscal.

Para que tudo isso? Por que toda essa loucura é necessária? Porque nem é somente maldade, é brutalidade. Por que um presidente se transformar num “bruto” (feio, mau, trapalhão, ignorante, no sentido italiano do termo)? Carlos Menem foi responsável pela pior transferência de renda da história argentina, dos setores populares aos grandes grupos econômicos concentrados, durante os Anos 90, mas não o fez de forma tão brutal como a que está usando Macri e seus colaboradores. A diferença, claro, está na diferença de estatura política entre Menem e Macri. O velho caudilho de La Rioja impôs seu projeto político, econômico e social – nefasto para os setores populares e para o Estado – através da mediação da política, buscando consensos, com operações culturais claras, gerando alianças, inclusive comprando vontades. Macri não, ele acredita que pode voltar aos Anos 90 na base das chicotadas.

Dois elementos que diferenciam aquele 1989 (da posse de Menem) deste 2015: a) Nos Anos 80, o país viveu uma crise hiperinflacionária disciplinadora e o autoritarismo da ditadura ainda estava na memória, na atualidade, por mais que os porta-vozes do macrismo tentem inventar uma “herança maldita”, a verdade é que os problemas econômicos eram relativamente solucionáveis, bastava acomodar algumas variáveis, e os argentinos hoje aceitam mais as relações democráticas. b) a crise de 2001, já não decide votos, mas ainda está presente na memória da maioria dos argentinos, e o surgimento do kirchnerismo como fenômeno político, em resposta ao cansaço popular com o neoliberalismo noventista gerou uma corrente de consenso muito forte na sociedade, que ainda hoje se mantém viva.

Este segundo ponto é interessante, porque está justamente no centro do plano macrista: a desaparição do kirchnerismo. A vice-presidenta Gabriela Michetti, “militante do PRO”, acabou confessando isso, quando sugeriu que não estavam demitindo empregados públicos no Senado, e sim a “militantes kirchneristas”, ou quando o inefável “militante radical”, Oscar “milico” Aguad, derrubou Martín Sabbatella da AFSCA (Autoridade Federal de Serviços de Comunicação Audiovisuais, órgão criado para fiscalizar o cumprimento das determinações da Lei de Meios), alegando ser um “militante kirchnerista”. Absurdo. Nem mesmo o pseudomoderado Hernán Lombardi escapou da perigosa estigmatização, e ficou preso à mesma lógica autoritária, operando jornalisticamente para escrachar os trabalhadores da Rádio Nacional por serem “kirchneristas fanáticos”. É paradoxal que esse ex-funcionário da prefeitura de Buenos Aires (durante o governo de Macri), acusado de subsidiar rádios FM inexistentes e jornalistas famosos como Fernando Niembro (espécie de Galvão Bueno argentino) com milhões de pesos, seja o operador da caça às bruxas, mostrando relatórios com informação falsa, aumentando as cifras omitindo o fato de que os números que ele revela incluem 13º salário, férias e outros benefícios, e que os salários reais são quase a metade do que ele divulga. Nesse caso, Lombardi não só estigmatiza os funcionários mas também engana a população. Mas voltemos ao que é importante, porque que se a única acusação que podem fazer a uma pessoa é que ela recebe um salário muito alto, isso mostra que não existem elementos contra esses trabalhadores, e não se pode confrontar ideias com isso. É triste que um funcionário público esteja sujeito a isso.

O importante é que Macri e o seu partido, o PRO, longe de pacificar e reconciliar os argentinos, aprofundou essa lógica pré-democrática do “amigos perto, inimigos longe”. Sua resposta não visou o diálogo, foi mais uma tentativa de eliminar diretamente um dos seus concorrentes. Não foi encontrar sínteses superadoras, e sim buscar a paz matando o oponente. Infelizmente, esse tipo de violência tem um alto preço. Quantas vezes Macri poderá reprimir sem que isso termine em enfrentamentos sérios entre as forças de segurança e os trabalhadores? Qual será o próximo passo: os reforços policiais da época do corralito? Prender os que protestam? Ou será que o macrismo simplesmente não quer a paz social, e sim a domesticação dos setores populares, que os trabalhadores e as classes médias se submetam aos benefícios dos setores econômicos mais altos?

Geralmente, os novos governos têm cem dias iniciais de graça, em que a população está menos exigente. Com um peronismo kirchnerista fatigado depois de 12 anos de gestão, com um peronismo territorial que ainda está tentando entender a derrota, e com um movimento operário desorganizado e na expectativa, além de contar com todos os meios de comunicação a favor, Macri aproveitou seu mês de impunidade absoluta. Mas talvez tenha jogado essa paz inicial no lixo. Seus primeiros trinta dias de governo produziram irritação na população, o que só não se vê nas pesquisas manipuladas do Clarín. O eleitorado considerado “independente”, que votou sem muitas convicções, mais pelo cansaço com o governo anterior que por certeza sobre a proposta do novo presidente, está confuso.

O que Macri conseguiu a seu favor foi produzir uma grande fidelização dos setores “fanaticamente” antiperonistas. Não parece ser um grande negócio político. Uma pena, porque infelizmente, nesses poucos dias, a elite econômica e social argentina demonstrou que é incapaz de abandonar seu rol de “classe dominante” (repressão e enriquecimento oligárquico) e que não tem capacidade de se transformar em “classe dirigente” (condução, integração e consenso). Aí está o mal de todos os males para milhões de argentinos.

Tradução: Victor Farinelli

Hernan Brienza, Diário Tiempo, de Buenos Aires

Cuba ainda espera fim de embargo, diz frei Betto

Havana e Washington anunciaram retomada de relações há 1 ano


De forma inesperada, os governos de Cuba e Estados Unidos anunciaram a retomada de relações bilaterais há cerca de um ano, em 17 de dezembro de 2014. Muitas coisas mudaram desde então, muito passos históricos foram tomados na direção da reaproximação. Uma das principais mudanças ainda não foi feita, no entanto, o fim do embargo econômico. A medida é uma das bandeiras do presidente norte-americano Barack Obama, mas depende do Congresso — que tem maioria republicana – para ser aprovada.

Consultado pela ANSA, o brasileiro frei Betto, amigo de Fidel Castro e autor do livro “Paraíso perdido – viagens ao mundo socialista”, compartilhou suas impressões sobre as mudanças em curso na ilha. ANSA – O senhor sentiu alguma mudança em Cuba desde 17 de dezembro do ano passado? Frei Betto – Após dezembro de 2014 estive em Cuba quatro vezes, uma delas por ocasião da visita do papa Francisco [em setembro].

De mudanças, a bandeira dos EUA erguida no Malecon [bairro turístico de Havana] e a expectativa dos cubanos quanto aos efeitos do reatamento com o país vizinho. Há mais cidadãos norte-americanos visitando Cuba, embora ainda perdure o bloqueio e as restrições de viagens por parte da Casa Branca aos cidadãos dos EUA. Este exemplo diz tudo: um casal dos EUA que queira fazer turismo na Coreia do Norte ou no Irã não encontrará nenhuma dificuldade ao buscar uma agência de viagens em Nova York. Porém, se o destino for Cuba, tudo é difícil, devido ao bloqueio. Essa é uma situação no mínimo esdrúxula.

ANSA- Fidel comentou algo com o senhor sobre o processo da retomada? FB- Sim, que Obama mudou seus métodos mas ainda precisa deixar claro que mudou também seus objetivos. Cuba espera que os EUA suspendam o bloqueio e devolvam a base naval de Guantánamo, bem como repare financeiramente os danos causados à ilha por décadas de bloqueio.

ANSA – Quais são suas impressões sobre o futuro de Cuba? Como o senhor acredita que o processo de retomada deve afetar a ilha? FB – Penso que, suspenso o bloqueio e liberadas as viagens, será o encontro do tsunami consumista com a austeridade cubana. Cuba se prepara para evitar que esse choque desvirtue o socialismo e as conquistas da Revolução [de 1959]. Nem os bispos católicos de Cuba têm, hoje, interesse que o país volte ao capitalismo.Não querem para o futuro de Cuba o presente de Honduras ou do Panamá.

Avanços – Desde a retomada de relações, diversas restrições vêm sendo estudadas e muitos passos têm sido dados em direção a uma reaproximação. Em julho deste ano, as respectivas embaixadas foram reabertas. O secretário de Estado norte-americano, John Kerry, visitou a ilha no mês seguinte, sendo o primeiro líder diplomático do país a viajar a Cuba desde 1945. Na semana passada, Cuba e Estados Unidos anunciaram a retomada de trocas postais após um hiato de 52 anos e ontem os países informaram que chegaram a um acordo para restaurar voos comerciais, sem anunciar data que em rota será restabelecida. Em outras questões, no entanto, como o status dos dissidentes e o respeito aos direitos humanos em Cuba, as negociações continuam travadas.

 

Agência ANSA

http://www.jb.com.br/internacional/noticias/2015/12/18/cuba-ainda-espera-fim-de-embargo-diz-frei-betto/

EUA e Cuba: luzes e sombras de uma aproximação

 

Ao cumprir-se nesta quinta-feira (17) um ano do histórico anúncio do início do processo para restabelecer relações entre Estados Unidos e Cuba, constata-se que foi proveitoso em se apostar no diálogo, embora subsistam obstáculos como o bloqueio econômico.

 

 

Raúl Castro e Barack ObamaRaúl Castro e Barack Obama

Sucessivas rodadas de conversação confirmaram a vontade expressa dos presidentes Barack Obama e Raúl Castro, que em pronunciamentos quase simultâneos no dia 17 de dezembro de 2014, coincidiram na vontade de recompor os vínculos interrompidos durante 54 anos, depois da ruptura de relações por parte de Washington.

A decisão, além de valentia política, traz embutida a oportunidade de demolir o muro entre os dois países, afirmaram analistas.

Não é fácil, reconheceu o presidente estadunidense. “A mudança é dura, em nossas próprias vidas e nas vidas das nações. E ainda mais quando levamos o peso da história em nossos ombros”, sustentou. O governante cubano insistiu que “devemos aprender a arte de conviver, de forma civilizada, com nossas diferenças”.

Como parte da aproximação, em ambas capitais foram abertas oficialmente embaixadas no dia 20 de julho, fato conceituado como o primeiro passo de um longo e complexo caminho para a normalização das relações diplomáticas.

Previamente, em abril, os presidentes de ambos países, pela primeira vez em mais de meio século, conversaram frente a frente durante a 7ª Cúpula das Américas que aconteceu no Panamá.

Pouco depois, a administração democrata excluiu a maior das Antilhas da unilateral lista de supostos Estados patrocinadores do terrorismo, na qual, segundo as autoridades da ilha, nunca deveria estar.

Outro ponto importante foi a criação, em agosto, de uma Comissão bilateral com o objetivo de analisar e avançar em diferentes âmbitos onde é possível a cooperação.

Até o momento, foram conseguidos acordos significativos sobre temas como combate ao narcotráfico e ao tráfico de pessoas, proteção de ecossistemas marinhos e reabertura do correio postal.

Este ano, várias delegações de congressistas, senadores e homens de negócios viajaram a Havana para explorar novas oportunidades de comércio, sobretudo no âmbito da agricultura.

Além disso, no Congresso estadunidense foram apresentadas diversas iniciativas dirigidas a modificar a aplicação do bloqueio e minimizar a proibição de viagens de cidadãos estadunidenses a Cuba.

Na opinião do governo cubano, o cerco econômico, comercial e financeiro imposto por Washington em 1962 constitui o principal obstáculo para a completa normalização dos vínculos.

Ainda que a administração democrata tenha anunciado em janeiro algumas medidas para aumentar as viagens e o comércio com a ilha, as disposições são ainda limitadas, enquanto permanece intacta a base jurídica que só pode ser alterada pelo Congresso para eliminar o bloqueio.

Desde o discurso sobre o Estado da União, em 20 de janeiro, Obama chamou várias vezes o Congresso a acabar com ditas sanções.

No dia 11 de setembro, o governante norte-americano renovou por mais um ano a chamada Lei de Comércio com o Inimigo, que sustenta o embargo econômico imposto a Cuba.

Não obstante, com esta ação o chefe da Casa Branca manteve sua autoridade executiva para relaxar as sanções.

Servidores públicos da chancelaria cubana têm reiterado que o chefe da Casa Branca dispõe de amplas faculdades para esvaziar aspectos vitais do bloqueio.

Para o futuro, permanecem pendentes temas bem mais complexos, alguns conceituados nocivos para a soberania do país caribenho, os quais devem ser resolvidos face à aspiração de atingir vínculos normais.

Neste sentido, figura a reivindicação pela anulação da denominada Lei de Ajuste Cubano e da política de pés secos-pés molhados, que dificulta o clima migratório entre os dois países.

De igual forma, ficam como assuntos álgidos a devolução do território ocupado pela Base Naval de Guantânamo, a eliminação das transmissões ilegais de rádio e televisão, bem como a cancelamento dos programas dirigidos a socavar o sistema e ordenamento político cubano.

Representantes de Cuba e dos Estados Unidos mostraram no dia 8 de dezembro disposição em continuar o diálogo sobre bens nacionalizados de cidadãos estadunidenses na ilha desde de 1959 e sobre os danos provocados aos cubanos pelo bloqueio econômico.

A reunião informativa em Havana sobre as compensações mútuas pendentes de solução entre ambos Estados demonstrou que é possível a negociação e o entendimento sobre a base do respeito à igualdade soberana.

Fonte: Prensa Latina

SONDEO: SÓLO 19 POR CIENTO CREE QUE TEMER HARÍA UN BUEN GOBIERNO

Cai a máscara: o vice é um golpista de quinta

BEPE DAMASCO

 

  • Romerio Cunha: <p> MichelTemer</p>
Estatura moral e política não se compra na esquina. E nada melhor do que  uma reles expectativa de poder, por mais ilegítima que seja, para se conhecer os meandros da alma de um político. Septuagenário e professor de direito constitucional, o vice-presidente da República tinha a obrigação de saber que fica feio criar pretextos pueris para justificar a ruptura da ordem constitucional.
Primeiro o ministro da Aviação Civil, Eliseu Padilha, ligado a Temer, deixa o governo, em clara sinalização de que o vice flertava fortemente com o movimento pela destruição da democracia. Na sequência, Temer dá início a um périplo de conversas com tucanos de alta plumagem visando, pasmem, traçar planos para um eventual governo seu.
Se tivesse apreço pela Constituição que jurou defender, Temer não hesitaria em rechaçar o golpe logo  que Eduardo Cunha, o maior meliante do mundo político, acatou um dos pedidos de impeachment.
As coisas não podem se misturar. Temer tem todo o direito de não gostar da presidenta, de não se sentir prestigiado por ela. Alimentar mágoas provocadas pela convicção de que não goza da confiança de Dilma também é natural e, sobretudo, humano. Contudo, nada disso justifica sua adesão à aventura irresponsável do golpe.
Mais do que lealdade  institucional à presidenta, o que se exige de um vice-presidente da República é respeito às leis e ao regime democrático. Como lhe falta coragem para assumir publicamente que conspira junto com os verdugos da democracia, Temer apela para subterfúgios e platitudes do tipo “espero quer o país sai pacificado disso tudo” ou “vou me curvar à vontade da maioria do meu partido.”
No melhor estilo camaleão, Temer troca uma conversa olhos nos olhos com a presidenta por  uma cartinha, cujo tom e conteúdo  ficariam melhor caso fossem da lavra de um colegial.  E pior : no afã de alimentar uma rede de intrigas que possa afastá-lo de qualquer compromisso com a presidenta, reclama do vazamento do teor da missiva.
E ainda divulga a íntegra da carta para constranger Dilma e, de quebra, tentar garimpar uns votinhos a favor do golpe entre seus correligionários. Mas alto lá. Qualquer cidadão com mais de dois neurônios sabe a quem interessa o vazamento.
Para os combatentes da causa democrática que  se exasperam com o papelão do vice, cabe uma lembrança : a pior fase do governo Dilma coincide justamente com o  período em que Temer era o responsável pela articulação política junto ao Congresso Nacional. Após  uma sucessão de derrotas acachapantes, ele deixou o cargo. A verdade é que sua ascendência sobre deputados e senadores do seu partido é pouco relevante.
Depois da derrota do impeachment, a Temer não restará outro caminho que não seja a renúncia. Até lá quem sabe ele responda a Ciro Gomes, que, além de apontá-lo como o “capitão do golpe”, denunciou em recente entrevista suas “estreitas” ligações com Eduardo Cunha.
BEPE DAMASCO

Jornalista, editor do Blog do Bepe

Guerra nas redes e nas ruas

Luciano Siqueira *

Logo cedo, ouço no rádio uma bateria de “analistas” e personalidades várias (incluindo o próprio advogado Miguel Reale Junior, um dos subscritores do pedido de impeachment), todos em trincheiras da ultra-direita, cuidando do “clima” que desejam favorável ao golpe.

Sinais da dimensão da guerra agora instaurada, pondo em causa a preservação da democracia e a continuidade das transformações operadas no País desde 2003.

Guerra é a expressão mais adequada para traduzir o novo patamar do conflito político, envolvendo interesses de classe bem definidos.

Guerra de muitas trincheiras: no Judiciário, no Parlamento e nas ruas.

Nas ruas e nas redes. Nunca foi tão preciso esse chamamento à militância e a todos os que se batem pela democracia e pelo progresso: lutemos nas ruas e nas redes!

Que cada um ocupe seu posto.

Que se peleje nas redes sociais com argumentos consistentes, em linguagem clara e compreensível, evitando provocações. Para convencer, mobilizar.

Ataques devem ser rechaçados com firmeza; provocações devem ser postas de lado, na lata do lixo.

A trincheira das redes sociais há de se conectar com as ruas.

O atual Congresso Nacional, de maioria conservadora – sobretudo a Câmara – e pusilânime, mostra-se muito vulnerável à pressão da mídia hegemônica reacionária e à algazarra da direita.

Tal como em batalhas marcantes de nossa história recente, a pressão popular há que tomar as ruas mediante pequenas, médias e grandes manifestações. Todas as formas são válidas.

O deputado Eduardo Cunha dá provimento ao pedido de impeachment num instante em que se vê desmoralizado pelo charco de corrupção em que é pilhado. Reage em desespero contra o risco da perda do mandato e de ir para a cadeia.

Age quando o governo conquista importante vitória na votação das metas fiscais.

Agora terá novamente a seu lado a oposição que recentemente passara a execrá-lo.

Tudo isso é verdade e pode ser corretamente explorado por nossas forças.

Mas há dois pontos a considerar, desde já. A verborréia direitista já insinua que a queda dupla de Cunha e Dilma poderia ser a fórmula da “pacificação” nacional. Veneno puro. Inaceitável!

O outro ponto: os que até agora não haviam se unido, poderão se unificar em torno da resistência ao impeachment: partidos, lideranças políticas, movimentos sociais, personalidades, religiosos, empresários progressistas.

A resistência terá êxito se plasmada através de uma frente a mais ampla possível. Para repercutir a voz das ruas e pressionar o Parlamento.

Uma frente que dialogue com o governo em torno de propostas pós-ajuste fiscal e, assim, pactue a agenda do desenvolvimento.

Leia mais sobre temas da atualidade: http://migre.me/kMGFD

* Médico, vice-prefeito do Recife, membro do Comitê Central do PCdoB

‘O Império passou a jogar mais duro’

Através da televisão e da internet, os Estados Unidos colocam em prática uma contraofensiva ante as lutas sociais e as articulações no campo ideológico.


ALAI

Wikimedia Commons

ALAI AMLATINA – Assumindo que depois da derrota da Alca (Área de Livre Comércio das Américas), o momento político colocava no centro das definições o tema da integração popular, um conjunto de organizações sociais concordaram com a necessidade de construir um espaço integracionista tendo como referência a ALBA (Aliança Bolivariana para os Povos de Nossa América), enquanto projeto essencialmente político que se remete ao ideal de Pátria Grande, promovido desde as guerras de independência.  
Esse processo se iniciou em julho de 2008, com a elaboração da Carta dos Movimentos Sociais das Américas que, depois de diversos debates nos diferentes países e no Fórum Social das Américas realizado na Guatemala (2008), foi aprovada na Assembleia dos Movimentos Sociais da ALBA, durante o Fórum Social Mundial de 2009, em Belém do Pará, Brasil. Como o Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST) do Brasil teve um rol muito ativo na impulsão desta iniciativa, estabelecemos um intercâmbio com João Pedro Stédile, membro da Coordenação Nacional desta organização, cuja reflexões apresentamos na continuação.  
 – Quais fatores e atores foram agravantes para a derrota da ALCA?

Em essência, com a ALCA se buscou armar um aparato jurídico para proteger as operações das empresas estadunidenses orientadas a tomar o controle do mercado das Américas. E para isso, se necessitava liberdade total do comércio, anulando qualquer medida soberana dos governos nacionais. E a implantação da moeda estadunidense ea proteção jurídica plena a seus investimentos.  

Porém, para que se concretizasse esse projeto, era necessário o apoio de todos os governos da região. Mas resulta que, a partir de Hugo Chávez, em diversos países foram eleitos governos anti-neoliberais, reconfigurando um cenário que terminou por obstaculizar o avanço da ALCA.
Por outro lado, o governo dos Estados Unidos já estava fragilizado em suas propostas neoliberais, ao mesmo tempo em que perdia terreno com as derrotas político-militares no Oriente Médio.
E esse quadro se completa com a resistência popular em diversos países do continente. Em alguns, a resistência se organiza em forma de campanha explicitamente contra a ALCA. Em outros, se apresenta como mobilizações populares, localizadas, contra o neoliberalismo, o qual significava estar contra o livre comércio e a subordinação aos Estados Unidos.
Ademais, em alguns países é evidente que também agravou, com peso relativo, a postura de alguns setores empresariais locais, que não se sentiam cômodos com a subordinação total aos interesses dos Estados Unidos, já que implicava uma perda de parte de sua taxa de lucro para benefício das empresas estadunidenses.
 
– Quais são as principais lições que você extrai dessas jornadas? 
São muitas lições e aprendizagens desse período. Difícil nomear a todos ou estabelecer critérios por importância. Porém, cabe destacar a realização de referendos populares, de consultas ao povo, e também a realização de assembleias populares massivas, pois contribuíram para que se implemente uma significativa pedagogia de massas, que ajudou que o povo entendesse o que estava em jogo, ao politizar o debate, e a que participasse, ainda que de maneira simples: com o voto em contra.
Também foi importante a unidade entre a maioria dos movimentos populares de cada país contra a ALCA, já que era a principal bandeira de luta contra o neoliberalismo. Isso ajudou a superar os protagonismos, o sectarismo e outras práticas comuns entre nossos movimentos. 
 
– Especificamente, o que significou nesse momento o nascimento da ALBA? 
Nesse contexto, foi agravante a visão estratégica e continental do presidente Hugo Chávez com a proposta da ALBA, sob as premissas de que: a) não é suficiente criticar aos Estados Unidos e a integração do capital, assumindo que é preciso apresentar outra proposta de integração, alternativa, uma integração que precisa ir além dos governos para adquirir um caráter popular; b) utilizou toda sua experiência e carisma para articular governantes anti-neoliberais e progressistas em torno da proposta da ALBA. E tanto assim que anuncia esta perspectiva no ato da derrota da ALCA, em Mar del Plata – Argentina -, durante o famoso rali popular em um estádio de futebol com milhares de militantes argentinos e das Américas; c) o seguinte passo, com sentido político, foi que não poderia ser só uma articulação dos Estados ou governos, mas também deveria envolver as forças populares que atuam de maneira independente dos espaços institucionais.
 
– No novo cenário após a derrota da ALCA, na agenda oficial se fortalece a perspectiva de uma integração soberana que, ademais da ALBA, se traduz na conformação da UNASUL e, posteriormente, da CELAC, assim como repercute em uma redefinição de outros projetos de integração, como o Mercosul, nos quais se abrem espaços para a participação de movimentos sociais. Como entender que essa abertura tenha ficado no plano formal? Qual a responsabilidade dos próprios movimentos para isso seja assim? 
Em primeiro lugar, desde um ponto de vista institucional depois da derrota da ALCA e do surgimento da ALBA, não se conseguiu aglutinar a maioria dos governos. Assim, desde o ponto de vista governamental, este se limitou a sete ou oito países, e de economias não muito representativas para o continente. Sabendo que, em realidade, a economia se move com o peso de México, Colômbia, Brasil e Argentina.
Ante essas circunstâncias, o presidente Chávez acertou ao mover-se para criar outros espaços que não eram tão populares como alternativas, mas representavam a possibilidade de uma unidade do continente contra o governo dos Estados Unidos e Canadá. E daí surgiu a proposta da UNASUL, na América do Sul, e da CELAC a nível continental. As duas iniciativas tiveram êxito, aglutinaram a todos os países, sem Estados Unidos, e na prática enterraram a hegemonia que os Estados Unidos tinham com a OEA.
O Mercosul, que nunca foi um mecanismo de integração verdadeira, foi somente um acordo comercial entre os países do sul. E creio que já tem seus dias contados, já que necessita migrar para um acordo de toda a América do Sul, no marco da UNASUL. Assim como está, já não serve para nada.
O problema é que alguns dos países governados pelos partidos neoliberais na América do Sul estariam colocando resistências, e prefeririam realinhar-se com os Estados Unidos através a Aliança do Pacífico, e agora o TPP, que abarca também parte da Ásia.
Desde o ponto de vista institucional, a crise internacional do capitalismo, as dificuldades com o preço do petróleo, produto que, para a Venezuela, é sua principal fonte de financiamento para os projetos econômicos estratégicos para o continente, tem uma influência negativa.
Em relação aos movimentos populares, que nos articulamos dentro dos parâmetros conceituais da ALBA, nós estamos nos movendo lentamente porque escolhemos caminhar com as nossas próprias pernas, tendo autonomia frente aos governo e Estado, inclusive progressistas ou de esquerda.
 
– Nesse novo cenário, outro aspecto que se destaca é que se dilui a articulação alcançada continentalmente pelos movimentos, e, ainda mais, praticamente se produz um refluxo desses avanços. Qual é a sua explicação sobre isso? 
Não vejo como um refluxo. Eu vejo como uma lentidão natural, porém pedagógica, de que só conseguiremos ir para frente se tivermos maior capacidade de articular forças populares em cada um de nossos países.
E, por desgraça, na maioria dos países, ainda que todos nos declaremos anti-neoliberais e anti-imperialistas, não conseguimos construir espaços nacionais unitários, que sejam a base de um movimento continental da ALBA. Então, se as forças populares não têm a maturidade para articular-se em seus países, não podem e não devem sair nas articulações internacionais, como porta-vozes da unidade. Falando em nome de quem?
Por outro lado, se imaginava que a recente conjuntura ajudaria aos movimentos populares de todo o continente para que avançassem mais rapidamente em uma re-ascensão do movimento de massas. Porém, lamentavelmente, isso não aconteceu. No momento, somente na Bolívia se mantém em ascensão o movimento de massas, que ainda que se sinta participante do governo, também o pressiona, e está em constante mobilização.
Na Venezuela, há uma vinculação muito grande entre os movimentos populares e os processos eleitorais, que se realizam a cada dois anos, e terminam monopolizando os interesses das forças populares em luta permanente contra os golpes da direita.
E, por último, o império passou a jogar mais duro, colocando em prática uma contraofensiva ante as lutas sociais e as articulações no campo ideológico, avançando com suas armas, que são os meios de comunicação, especialmente a televisão e a Internet. Nesse campo, o capital e os Estados Unidos são absolutamente hegemônicos, e tem uma grande força.
Ou seja, os poucos avanços não foram só debilidades nossas, que são muitas, mas também houve um relançamento das iniciativas ideológicas impulsionadas pelos Estados Unidos com as forças conservadoras em nossos países. E em todos os países estamos assistindo a uma confrontação cada vez maior dessas forças com as forças populares.
E as forças populares com pouca possibilidade de atuar na televisão, nos meios de comunicação massivos e na Internet. Inclusive na Internet, que se considerava que era um espaço mais livre e democrático, as revelações de Assange e Snowden deixaram claro, por exemplo, que o Google não passa de uma ferramenta à serviço e sob o controle dos serviços de inteligência do governo dos Estados Unidos.
 
– Hoje estamos diante de um novo cenário, tanto pela dinâmica global do capitalismo como pelas limitações registradas pelos governos de mudança, o qual deu espaço para que, inclusive entre os opositores de esquerda, se fale do fim do ciclo progressista. Desde a perspectiva dos movimentos, como encarar essa situação, sendo que existem tentativas desestabilizadoras? 
Não considero que seja o melhor caminho permanecer prognosticando o fim do ciclo progressista, ou o recomeço dos setores conservadores. Isso não é dialético. A luta de classes é permanente em cada um de nossos países, e muito dinâmica. Não podemos generalizar como uma situação em cada país. E inclusive nos países em que existe uma completa hegemonia da direita nos governos, como México e Colômbia, há uma maior intensidade da luta social, e a disposição de luta do povo.
Creio que nos encontramos em condições difíceis, devido à dependência econômica de nosso continente em relação ao capitalismo internacional. Mais do que nunca devemos recuperar as teorias da dependência (sistematizadas na década de 70) para explicar a situação de nossas economias, para não cair no simplismo de que tão somente porque os governos vão mal, ou a economia está em crise, que isso significa o fim de ciclos de governo.
Estamos no meio da luta de classes, em cada um de nossos países e no continente. E esta, cada dia, pode e tem desdobramentos diferenciados com diferentes consequências.
Nesse sentido, os movimentos populares e as forças de esquerda precisam estudar mais, conhecer melhor suas realidades e ter mais claro, nas disputas eleitorais, ideológicas e políticas, quem são nossos inimigos principais, quem são nossos aliados temporais, e quem são as forças realmente populares, que podem acumular para alcançar as transformações estruturais de nossas sociedades. E pelo pouco que li e escutei de companheiros/as em nossos encontros, existe uma confusão generalizada na maioria dos países sobre esta identificação necessária, para posicionar-se melhor nas táticas, na luta de classes.
 
– Na atual disputa geopolítica, o imperialismo trata de impedir que se avance na direção do multilateralismo no ordenamento internacional.  Para isso, além de seu poderio militar, tem colocado o pé no acelerador para chegar a acordos de livre comercio em diversas frentes. Na região, com a Aliança do Pacífico, globalmente com o TPP, o TTIP, TISA, entre outros. Frente a esta realidade, o que fazer a partir dos movimentos sociais? 
Temos que debater esses temas com profundidade em cada um de nossos países, pois os desafios podem apresentar-se de forma diferenciada. O primeiro passo é compreender que de fato o imperialismo do capital dos Estados Unidos é nosso principal inimigo, que se apresenta não só através das ações do governo desse país, como também, e sobretudo, com as iniciativas de empresas, corporações transnacionais, meios de comunicação e acordos internacionais.
Segundo, precisamos seguir com o trabalho de base, para conscientizaras nossas bases, a respeito dessa realidade e do contexto da luta de classes em nossos países, que está cada vez mais internacionalizado. Ou seja, a correlação de forças no plano local não somente está determinada pelo comportamento das burguesias locais, como também pelo comportamento de forças do capital internacional.
Terceiro, temos que reimpulsionar o trabalho de formação política de nossa militância… e ter, de fato, uma estratégia de unidade política e de disputa do poder político na sociedade, no sentido elaborado por Gramsci, de que todos os espaços coletivos da sociedade, são espaços de luta política. Creio que a maioria dos partidos de esquerda se perdeu em esquemas puramente eleitorais e abandonaram a formação política de sua militância. E logo caíram no pragmatismo total, que sempre repercute em oportunismo pessoal ou de grupos.
Quarto, colocar energias na construção de meios de comunicação de massas.
Quinto, estimular as lutas de massas, somente elas podem, de fato, alterar a correlação de forças, e ser um contraponto à força do capital imperialista, a que me referi anteriormente.
 
 Entre outros temas agravantes, ressaltam os relativos às crises ambiental e alimentaria. Que alternativas se estão formulando? 
O capital internacional, frente a crise de acumulação cíclica que estamos vivendo, migrou com maior intensidade em direção à América Latina, para apoderar-se e tornar-se proprietário privado de nossas riquezas naturais, particularmente dos minerais (petróleo, ferro, bauxita, etc.) e da energia elétrica, eólica, e das commodities agrícolas.
Esta avalanche de capital, explorando/extraindo os bens naturais, está causando essa destruição do meio ambiente em todo o continente, que traz como consequências graves a mudança climática, o desaparecimento de água, etc.
Esse tema não estava presente na luta de classes antes de 1990, aparece somente agora. E é preciso enfrentá-lo com a mesma intensidade que frente à contradição entre capital e trabalho. A destruição do meio ambiente pode colocar em risco a vida humana no Planeta.
Nesse sentido, temos dois aliados importantes: as contradições da natureza, que coloca a cada sociedade frente às consequências de sua destruição, e, portanto, pode conduzir a uma conscientização da sociedade a respeito da gravidade, pela mudança climática, da temperatura, a falta de água, as secas, etc.
E o segundo aliado é a postura política do Papa Francisco, que mais além de seus pronunciamentos, preparou a Encíclica Laudato Si’, que é uma bela análise das causas, consequências, das agressões ao meio ambiente e da necessidade de reagir.
Assim, espero que as forças populares, ao menos as que se articulam na ALBA, abracem com prioridade este tema.
 
 Sendo que a disputa política e social se deslocou ao espaço comunicacional midiático, como abordar esse objetivo? 
De muitas maneiras, começando com o impulso de uma luta sistemática contra o oligopólio que o capital nos impõe, com suas redes midiáticas, em especial a televisão e a Internet, a denúncia permanente de seu novo papel como organizador ideológico da sociedade em favor dos interesses do capital e da exploração.
Por outra parte, criar de todas as formas e em todos os espaços que podamos, nossos próprios meios de comunicação de massas, sob o controle das forças populares. E articular-nos a nível continental, também e sobretudo neste campo da informação, da luta ideológica.
Mas, ademais, lutar em nossos países para que hajam leis que democratizem e regulem os meios de comunicação, em função do interesse público.
Tradução de ALINE PAIVA.

Manifesto de Apoio “ESTAMOS COM O POVO VENEZUELANO E APOIAMOS O PROCESSO ELEITORAL BOLIVARIANO”

 

 

ESTAMOS COM O POVO VENEZUELANO E APOIAMOS O PROCESSO ELEITORAL BOLIVARIANO

 

Nos últimos quinze anos o processo bolivariano realizou dezesseis eleições e consultas populares na Venezuela.  Nenhuma delas foi contestada. Ao contrário, permitiram a eleição de notórios oposicionistas do processo bolivariano e vetos a mudanças constitucionais.

O governo nunca contestou os resultados, mesmo quando estes lhes foram desfavoráveis.

A Venezuela possui um eficiente, seguro e reconhecido sistema eleitoral que inclui urnas eletrônicas, identificação digital por tinta indelével e impressão de canhotos dos votos em papel– processo que permite fiscalização e questionamento, a posteriori, de todas as zonas eleitorais do país.

Como qualquer outra, a sociedade venezuelana tem problemas e dificuldades, e para enfrentá-los vem buscando e encontrando as soluções adequadas aos interesses de seu povo.

O povo venezuelano, a imprensa e  todas as formas de organização social participam ativamente da vida política com ampla e reconhecida liberdade.

Assim, nós, intelectuais e dirigentes de movimentos populares das Américas vimos a público para:

–       Apoiar o processo de consulta democrática que se realiza no país.

–       Apoiar a Revolução Bolivariana, que visa melhorar as condições de vida do povo.

–       Refutar toda e qualquer tentativa de ingerência de poderes políticos e econômicos externos para influenciar o processo eleitoral.

–       Repudiar todos os atos de violência que pretendam conturbar as eleições.

O povo venezuelano sabe muito bem quem são seus inimigos e quem são seus aliados.

Nós somos seus aliados.

Continente americano, 30 de novembro de 2015.

 

Manifesto de apoio a Venezuela: enviar adesões até a noite do dia 02 de Dezembro de 2015, para secretaria@albamovimientos.org.br

 

PRIMEIRAS ADESÕES

Alain Harrison,  citoyen, Québec, CANADA

Alcides García, periodista y educador popular, CUBA

Anivaldo Padilha, lider ecumênico e militante dos Direitos Humanos, BRASIL

Anita Prestes, escritora e professora universitária, Rio de janeiro, BRASIL

Adriano Esteves, do MTC, movimento dos trabalhadores do campo, Alagoas, BRASIL

Ariovaldo Ramos, pastor evangélico,  Visão Mundial, BRASIL

Carole Radureau, Militante des droits humains, Magnanville, France

Célia Regina Vendramini, professora na Universidade Federal de Santa Catarina, BRASIL

Claude Baesens,Professeur à l’Université de Warwick, Royaume Uni (REINO UNIDO)

Claudia Korol, jornalista e educadora popular, feminista. ARGENTINA

Daniel Veltin, Responsable associative, FRANCE

Dominique F. Dionisi, FRANCE

ELIETTE PERNOT, FRANCE

Eric Nepomuceno, escritor, Rio de Janeiro, BRASIL

Fernando Morais,  escritor, São Paulo, BRASIL

Gaudencio Frigotto, professor universitário, Rio de janeiro, BRASIL

Ignacio Ramonet, escritor, ESPAÑA

Horacio Martins de Carvalho,  pesquisador agrário- Parana, BRASIL

Jacqueline LAVY, Ciudadana, Francia

Leopoldo Nunes, cineasta, Rio de janeiro, BRASIL

Léone Mayero, France-Uruguay

Joao Pedro Stedile- MST- Via campesina, BRASIL

Julie Devès, Rédactrice presse citoyenne et libre, FRANCE

Manuel Bertoldi, Dirigente de “Pátria Grande”, ARGENTINA

Marcos  Barros, pastor evangélico, BRASIL

Michel Maillet , médecin , France

Paola Estrada, da secretaria operativa dos movimentos populares da ALBA

Paul Nicholson, via campesina, PAIS BASCO

Raimundo Bonfim – Central de Movimentos Populares-CMP, BRASIL

Rémi Durieux, FRANCE

Ricardo Gebrim, dirigente da consulta popular e do sindicato dos advogados de São Paulo, BRASIL

Sfia Bouarfa, Députée Honoraire, Ancienne Sénatrice, FRANCE

Silvana Maria Gritti, professora, BRASIL

Sylvie Carrasco Marano, FRANCE

Thiago Pará – dirigente do Levante Popular da Juventude e Secretário Geral da União Nacional dos Estudante (UNE) – Brasil

Tuca Moraes, atriz e produtora cultural, Rio de Janeiro, BRASIL

Valter Pomar, professor universitário e militante do PT, São Paulo, BRASIL

 

ESTAMOS CON EL PUEBLO VENEZOLANO Y APOYAMOS EL PROCESO ELECTORAL BOLIVARIANO

 

Los últimos quince años el proceso bolivariano se llevó dieciséis elecciones y consultas populares en Venezuela. Ninguna de ellas fue impugnada. Por el contrario, permitieron la elección de notorios oposicionistas y cambios constitucionales.

El gobierno nunca ha cuestionado los resultados, incluso cuando eran desfavorables para ellos.

Venezuela tiene un sistema electoral eficiente, seguro y reconocido, que incluye urnas electrónicas, identificación digital con tinta indeleble y la impresión de los votos en papel, que permite la fiscalización y el cuestionamiento, a posteriori, de todas las circunscripciones en el país.

Al igual que cualquier otra, la sociedad venezolana tiene problemas y dificultades, y para enfrentarlos ha estado buscando y encontrando las soluciones adecuadas a los intereses de su pueblo.

El pueblo venezolano, los medios y todas las formas de organización social participan activamente en la vida política con una amplia y reconocida libertad.

Así que, los intelectuales y los movimientos populares de los líderes de las Américas vimos que el público:

– Apoyar el proceso de consulta democrática que tiene lugar en el país.

– Apoyar la Revolución Bolivariana, que tiene como objetivo mejorar las condiciones de vida del pueblo.

– Refutar cualquier intento de injerencia de poder político y económico externo para influir en el proceso electoral.

– Repudiar todos los actos de Actos de violencia que tengan la pretensión de perturbar las elecciones.

 

El pueblo venezolano lo sabe muy bien quiénes son sus enemigos y quiénes son sus aliados.

Y nosotros somos sus aliados.

Continente Americano, 30 de Noviembre de 2015.

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We support the Venezuelan People and the Bolivarian Electoral Process

Over the last fifteen years the Bolivarian process has held sixteen elections and popular referendums in Venezuela.  None of them have been contested.  On the contrary, they have seen the election of notorious opponents of the Bolivarian process and rejections to constitutional modifications.

The government never contested the results, even when they weren’t in its favor.

Venezuela has an efficient, secure and widely recognized electoral system that includes electronic ballots, the identification of those who have voted by marking their fingers with indelible ink, and the printing of paper voting receipts – a process that allows for the auditing and review of all the country’s electoral zones.

As is the case everywhere, Venezuelan society faces problems and difficulties, and in order to deal with them is looking for, and finding adequate solutions that are in the interests of its people.

The Venezuelan people, the media and every type of social organization actively participate in political life, with extensive and well-recognized freedom.

This is why we, intellectuals and popular movement leaders of the Americas, comes before the public to:

– support the democratic consultative process underway in the country.

– support the Bolivarian revolution, that aims to improve the lives of the people.

– rejects any attempt on the part of political and economic powers to interfere in the electoral process.

– repudiate the acts of violence that aims to disrupt the elections.

The Venezuelan people is perfectly aware of who its enemies are, and who its allies are.

We are its allies.

The American continent, November 30th, 2015.

 

NOUS SOMMES AVEC LE PEUPLE VÉNÉZUÉLIEN ET NOUS SOUTENONS LE PROCESSUSÉLECTORAL BOLIVARIEN

 

Ces quinze dernières années, le Venezuela a effectué près d’une vingtaine de scrutins, élections ou référendums. Aucun d’entre eux n’a été contesté. Au contraire, ils ont permis l’élection d’opposants notoires au processus bolivarien ou le rejet d’amendements constitutionnels. Le gouvernement n’a jamais contesté les résultats, même quand ils lui étaient défavorables. “Excès de démocratie” pour l’ex-président brésilien Lula da Silva.

Le Venezuela a un système électoral efficace, sûr et reconnu internationalement.  Il comprend des machines de vote électroniques, l’identification du votant par encrage indélébile du doigt et l’impression sur papier des preuves de vote – ce qui permet la surveillance et l’imputation des résultats à posteriori, dans toutes les zones électorales du pays. Selon Jimmy Carter dont la fondation a mené 98 observations électorales dans le monde, le Venezuela possède le meilleur système électoral du monde.

         (Pour les législatives du 6 décembre 2015, le Centre National Electoral (www.cne.gob.ve)  a invité les observateurs de l’UNASUR, organisation qui regroupe les douze pays d’Amérique du Sud et qui est déjà sur place, le Conseil des Experts électoraux de l’Amérique Latine, et entre autres observateurs internationaux, l’ex-Président du Panama Omar Torrijos, l’ex-candidat présidentiel de Colombie Horacio Zerpa ou l’ex-premier ministre espagnol Rodriguez Zapatero.)

Comme tout autre pays, le Venezuela affronte des difficultés qu’il tente de résoudre en protégeant les intérêts de sa population. Le peuple vénézuélien, les médias et toutes les formes d’organisation sociale participent activement à la vie politique avec une ample liberté. Les télés privées (80 % d’audience), la presse écrite et les radios qui critiquent à des degrés divers les politiques du gouvernement bolivarien, dominent la scène politique.

C’est pourquoi nous, intellectuels et mouvements populaires des Amériques, manifestons publiquement :

– Notre soutien au processus de consultation démocratique en cours dans le pays.

– Notre appui à la révolution bolivarienne qui cherche à améliorer les conditions de vie du peuple.

– Notre rejet de toute tentative d’ingérence de la part de pouvoirs politiques et économiques externes pour influencer le processus électoral.

– Notre rejet d’actes de violence visant à empêcher ou à perturber le déroulement des élections.

Le peuple vénézuélien sait bien qui sont ses ennemis et qui sont ses alliés.

Nous sommes ses alliés.

 

Depuis les Amériques, 30 novembre 2015

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