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A educação cubana após a revolução, vista por um consultor do Banco Mundial

 


Por Roberto Bitencourt da Silva

No primeiro dia do ano, Cuba celebrou o 57º aniversário da sua revolução popular, nacionalista, anti-imperialista e socialista. Em que pesem limitações e problemas de natureza política e econômica, inegavelmente o povo cubano tem muito o que celebrar, especialmente em relação à educação proporcionada pelo Estado.

Recente e esclarecedor estudo produzido por Aviva Chomsky (“História da revolução cubana”, editora Veneta, 2015) destaca os esforços de erradicação do analfabetismo, imediatamente após a ascensão dos revolucionários, liderados por Fidel Castro, ao poder.

Sob o slogan “O caminho para sair do subdesenvolvimento é a educação”, a revolução promoveu imensuráveis esforços para superar o analfabetismo, democratizar o ensino e promover níveis elevados de escolarização.

Um dos frutos legados pela prioridade concedida à educação, conforme a historiadora, é que “em termos de aproveitamento escolar e oportunidade profissional, a desigualdade entre raças diminuiu ou desapareceu em Cuba, ao passo que ainda parece intransponível nos Estados Unidos e no Brasil”.

Ademais, qualquer pessoa que simpatize com algumas iniciativas sociais desenvolvidas pela revolução cubana, ou que seja minimamente iniciada em sociologia, sabe, ou ao menos intui, que ações de caráter distributivo e de bem-estar social – fatores externos à escola – guardam forte e positiva incidência sobre a qualidade do ensino e a aprendizagem na escola.

Como raras são as análises empíricas disponíveis em nosso país, a respeito do caso cubano, não deixa de ser bastante interessante um estudo realizado, há poucos anos, por um prestigioso consultor do Banco Mundial, o economista Martin Carnoy ( “A vantagem acadêmica de Cuba”, editora Ediouro/Fundação Lemann, 2009).

Diga-se, Banco Mundial, uma das principais instituições que regulam os processos decisórios em escala internacional, sob a bandeira da “superioridade do mercado na oferta dos bens e insumos públicos”. Organismo multilateral que conforma um dos eixos do poder norte-americano, dos bancos e das corporações multinacionais sobre o mundo.

Comparando o modelo abertamente privatista do Chile e semiprivatista do Brasil – ambos modelos assentados em grotescas desigualdades sociais – com o padrão estatista e igualitário cubano, Carnoy chega à conclusão de que o “capital social” – isto é, qualidade de vida e rede estatal, comunitária e familiar de suporte aos/às alunos/as – consiste em variável principal para a boa aprendizagem das crianças cubanas.

Questionando o que entende configurar embaraços ao exercício das liberdades individuais e políticas dos adultos, não deixa, contudo, de frisar a prevalência do respeito aos direitos humanos das crianças e dos jovens em Cuba, em comparação com demais sociedades americanas (EUA e América Latina).

Baixa relação quantitativa professor/aluno (15 alunos por turma no primeiro segmento do ensino fundamental e 20 no segundo segmento); alto prestígio profissional dos/as professores/as na sociedade cubana – e remuneratório, para os padrões do país; mães, pais e responsáveis escolarizados/as e que valorizam a educação, eis alguns dos “segredos” cubanos para o sucesso, de acordo com o economista do Banco Mundial.

Desempenho superior em linguagem e matemática, menores índices de brigas escolares e hábito mais recorrente de leitura em casa, estes são alguns resultados da pesquisa empreendida por Carnoy, ao comparar a educação cubana com a de Argentina, Brasil, Colômbia e México.

É sempre bom frisar, apesar do silêncio natural de Carnoy a respeito: tratam-se de números e realidades sociais alcançadas sob severo e duradouro embargo econômico imposto pelos EUA. Adicionalmente, Cuba sofreu com ações militares, no passado remoto, diretas/indiretas e sabotagens norte-americanas.

Em período mais recente, também com atentados terroristas financiados por grupos mafiosos instalados no “grande irmão”. É o que oportunamente chamam a atenção Aviva Chomsky e Fernando Morais (“Os últimos soldados da guerra fria”, editora Companhia das Letras, 2011).

Convenhamos, não é pouca coisa. O povo cubano tem muito o que comemorar e com que se orgulhar.

Roberto Bitencourt da Silva – historiador e cientista político.

 

Rennan Martins – Jornalista e Editor do Blog dos Desenvolvimentistas

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Cuba ainda espera fim de embargo, diz frei Betto

Havana e Washington anunciaram retomada de relações há 1 ano


De forma inesperada, os governos de Cuba e Estados Unidos anunciaram a retomada de relações bilaterais há cerca de um ano, em 17 de dezembro de 2014. Muitas coisas mudaram desde então, muito passos históricos foram tomados na direção da reaproximação. Uma das principais mudanças ainda não foi feita, no entanto, o fim do embargo econômico. A medida é uma das bandeiras do presidente norte-americano Barack Obama, mas depende do Congresso — que tem maioria republicana – para ser aprovada.

Consultado pela ANSA, o brasileiro frei Betto, amigo de Fidel Castro e autor do livro “Paraíso perdido – viagens ao mundo socialista”, compartilhou suas impressões sobre as mudanças em curso na ilha. ANSA – O senhor sentiu alguma mudança em Cuba desde 17 de dezembro do ano passado? Frei Betto – Após dezembro de 2014 estive em Cuba quatro vezes, uma delas por ocasião da visita do papa Francisco [em setembro].

De mudanças, a bandeira dos EUA erguida no Malecon [bairro turístico de Havana] e a expectativa dos cubanos quanto aos efeitos do reatamento com o país vizinho. Há mais cidadãos norte-americanos visitando Cuba, embora ainda perdure o bloqueio e as restrições de viagens por parte da Casa Branca aos cidadãos dos EUA. Este exemplo diz tudo: um casal dos EUA que queira fazer turismo na Coreia do Norte ou no Irã não encontrará nenhuma dificuldade ao buscar uma agência de viagens em Nova York. Porém, se o destino for Cuba, tudo é difícil, devido ao bloqueio. Essa é uma situação no mínimo esdrúxula.

ANSA- Fidel comentou algo com o senhor sobre o processo da retomada? FB- Sim, que Obama mudou seus métodos mas ainda precisa deixar claro que mudou também seus objetivos. Cuba espera que os EUA suspendam o bloqueio e devolvam a base naval de Guantánamo, bem como repare financeiramente os danos causados à ilha por décadas de bloqueio.

ANSA – Quais são suas impressões sobre o futuro de Cuba? Como o senhor acredita que o processo de retomada deve afetar a ilha? FB – Penso que, suspenso o bloqueio e liberadas as viagens, será o encontro do tsunami consumista com a austeridade cubana. Cuba se prepara para evitar que esse choque desvirtue o socialismo e as conquistas da Revolução [de 1959]. Nem os bispos católicos de Cuba têm, hoje, interesse que o país volte ao capitalismo.Não querem para o futuro de Cuba o presente de Honduras ou do Panamá.

Avanços – Desde a retomada de relações, diversas restrições vêm sendo estudadas e muitos passos têm sido dados em direção a uma reaproximação. Em julho deste ano, as respectivas embaixadas foram reabertas. O secretário de Estado norte-americano, John Kerry, visitou a ilha no mês seguinte, sendo o primeiro líder diplomático do país a viajar a Cuba desde 1945. Na semana passada, Cuba e Estados Unidos anunciaram a retomada de trocas postais após um hiato de 52 anos e ontem os países informaram que chegaram a um acordo para restaurar voos comerciais, sem anunciar data que em rota será restabelecida. Em outras questões, no entanto, como o status dos dissidentes e o respeito aos direitos humanos em Cuba, as negociações continuam travadas.

 

Agência ANSA

http://www.jb.com.br/internacional/noticias/2015/12/18/cuba-ainda-espera-fim-de-embargo-diz-frei-betto/

EUA e Cuba: luzes e sombras de uma aproximação

 

Ao cumprir-se nesta quinta-feira (17) um ano do histórico anúncio do início do processo para restabelecer relações entre Estados Unidos e Cuba, constata-se que foi proveitoso em se apostar no diálogo, embora subsistam obstáculos como o bloqueio econômico.

 

 

Raúl Castro e Barack ObamaRaúl Castro e Barack Obama

Sucessivas rodadas de conversação confirmaram a vontade expressa dos presidentes Barack Obama e Raúl Castro, que em pronunciamentos quase simultâneos no dia 17 de dezembro de 2014, coincidiram na vontade de recompor os vínculos interrompidos durante 54 anos, depois da ruptura de relações por parte de Washington.

A decisão, além de valentia política, traz embutida a oportunidade de demolir o muro entre os dois países, afirmaram analistas.

Não é fácil, reconheceu o presidente estadunidense. “A mudança é dura, em nossas próprias vidas e nas vidas das nações. E ainda mais quando levamos o peso da história em nossos ombros”, sustentou. O governante cubano insistiu que “devemos aprender a arte de conviver, de forma civilizada, com nossas diferenças”.

Como parte da aproximação, em ambas capitais foram abertas oficialmente embaixadas no dia 20 de julho, fato conceituado como o primeiro passo de um longo e complexo caminho para a normalização das relações diplomáticas.

Previamente, em abril, os presidentes de ambos países, pela primeira vez em mais de meio século, conversaram frente a frente durante a 7ª Cúpula das Américas que aconteceu no Panamá.

Pouco depois, a administração democrata excluiu a maior das Antilhas da unilateral lista de supostos Estados patrocinadores do terrorismo, na qual, segundo as autoridades da ilha, nunca deveria estar.

Outro ponto importante foi a criação, em agosto, de uma Comissão bilateral com o objetivo de analisar e avançar em diferentes âmbitos onde é possível a cooperação.

Até o momento, foram conseguidos acordos significativos sobre temas como combate ao narcotráfico e ao tráfico de pessoas, proteção de ecossistemas marinhos e reabertura do correio postal.

Este ano, várias delegações de congressistas, senadores e homens de negócios viajaram a Havana para explorar novas oportunidades de comércio, sobretudo no âmbito da agricultura.

Além disso, no Congresso estadunidense foram apresentadas diversas iniciativas dirigidas a modificar a aplicação do bloqueio e minimizar a proibição de viagens de cidadãos estadunidenses a Cuba.

Na opinião do governo cubano, o cerco econômico, comercial e financeiro imposto por Washington em 1962 constitui o principal obstáculo para a completa normalização dos vínculos.

Ainda que a administração democrata tenha anunciado em janeiro algumas medidas para aumentar as viagens e o comércio com a ilha, as disposições são ainda limitadas, enquanto permanece intacta a base jurídica que só pode ser alterada pelo Congresso para eliminar o bloqueio.

Desde o discurso sobre o Estado da União, em 20 de janeiro, Obama chamou várias vezes o Congresso a acabar com ditas sanções.

No dia 11 de setembro, o governante norte-americano renovou por mais um ano a chamada Lei de Comércio com o Inimigo, que sustenta o embargo econômico imposto a Cuba.

Não obstante, com esta ação o chefe da Casa Branca manteve sua autoridade executiva para relaxar as sanções.

Servidores públicos da chancelaria cubana têm reiterado que o chefe da Casa Branca dispõe de amplas faculdades para esvaziar aspectos vitais do bloqueio.

Para o futuro, permanecem pendentes temas bem mais complexos, alguns conceituados nocivos para a soberania do país caribenho, os quais devem ser resolvidos face à aspiração de atingir vínculos normais.

Neste sentido, figura a reivindicação pela anulação da denominada Lei de Ajuste Cubano e da política de pés secos-pés molhados, que dificulta o clima migratório entre os dois países.

De igual forma, ficam como assuntos álgidos a devolução do território ocupado pela Base Naval de Guantânamo, a eliminação das transmissões ilegais de rádio e televisão, bem como a cancelamento dos programas dirigidos a socavar o sistema e ordenamento político cubano.

Representantes de Cuba e dos Estados Unidos mostraram no dia 8 de dezembro disposição em continuar o diálogo sobre bens nacionalizados de cidadãos estadunidenses na ilha desde de 1959 e sobre os danos provocados aos cubanos pelo bloqueio econômico.

A reunião informativa em Havana sobre as compensações mútuas pendentes de solução entre ambos Estados demonstrou que é possível a negociação e o entendimento sobre a base do respeito à igualdade soberana.

Fonte: Prensa Latina

Cuba, pioneira em eliminar a transmissão de HIV de mãe para filho

A Organização Mundial da Saúde certificou Cuba como o primeiro país do mundo que venceu o desafio de eliminar a transmissão do vírus HIV de mãe para filho.


Por: Cuba Salud

EBC

A Organização Pan-americana de Saúde (OPS, escritório regional da mundial OMS) entregou a Cuba a primeira certificação do mundo que a credita como país que venceu o duplo desafio de eliminar a transmissão do vírus HIV de mãe para filho, e também a sífilis congênita.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) foi quem certificou o país caribenho. Segundo a entidade, Cuba é o primeiro país do mundo a eliminar a transmissão do vírus da AIDS e da sífilis de mãe para filho.

Segundo a OMS, a cada ano, cerca de 1,4 milhão de mulheres com HIV ficam grávidas no mundo, e se não recebem tratamento, as possibilidades de que transmitam o vírus aos seus bebês durante a gestação, parto ou lactância oscilam entre 15 e 45%. Por isso é muito importante cortar esse círculo vicioso que ajuda na propagação de um vírus que a medicina mundial tenta combater há décadas, sem encontrar ainda uma cura que seja efetiva.

A cubana Yunaisy Rodríguez foi infectada com HIV, o que descobriu durante um controle de saúde de rotina, no Centro Policlínico Bernardo Posse, em Havana. Mas ela queria ter outro filho.

“Eu adquiri a doença, mas meu marido queria ter outro filho, e eu também, e graças a Deus, com a ajuda dos médicos, meu bebê nasceu saudável”, contou ela.

Rodríguez é uma das 2,6 mil mulheres entre 15 e 49 anos que vivem com HIV em Cuba, mas que não contagiaram seus bebês com o vírus graças ao tratamento que recebem.

A cerimônia de entrega do certificado foi realizada na sede da OPS, em Washington, capital dos Estados Unidos. Durante o evento, Cuba recebeu a primeira o prêmio por ser ter vencido o desafio de eliminar a transmissão do HIV e da sífilis congênita em casos de mãe para filho.

O número de crianças que nascem a cada ano com HIV no mundo foi reduzido quase à metade nos últimos cinco anos – passando dos 400 mil registrados em 2009 aos 240 mil de 2013, uma cifra, em todo caso, ainda distante do objetivo da OMS, de que as novas infecções infantis sejam menos de 40 mil por ano, a que esperam alcançar no balanço final deste 2015.

Tradução: Victor Farinelli

Barack Obama – Bloqueio- Cuba

Sign of Credit Agricole Bank, is seen in Nice, southeastern France, Wednesday, Sept. 14, 2011. Moody's on Wednesday downgraded the credit ratings of French banks Societe Generale and Credit Agricole following a period of huge volatility in the markets as investors fretted about their potential exposure to the debts of Greece. (AP Photo/Lionel Cironneau )
A pesar de las últimas medidas, el gobierno estadounidense continúa la persecución financiera contra Cuba, como demuestra la última multa al banco francés Crédit Agricole. Foto: AFP

El 28 de septiembre del 2015, en su discurso en la Asamblea General de las Naciones Unidas, el presidente Obama hizo una constatación lúcida sobre la política exterior de Estados Unidos hacia Cuba:

“Durante 50 años, Estados Unidos aplicó una política hacia Cuba que fracasó en mejorar la vida del pueblo cubano. Hemos optado por un cambio. Todavía tenemos diferencias con el Gobierno cubano. Seguiremos defendiendo los derechos humanos. Pero abordamos ahora es­tas cuestiones mediante relaciones diplomáticas, un comercio en alza y lazos entre los pueblos. Mientras estos contactos se fortalecen día a día, estoy convencido de que nuestro Congreso levantará inevitablemente un embargo que ya no debería existir”.

Estas palabras del Presidente de Estados Unidos fueron saludadas calurosamente con nutridos aplausos en las Naciones Unidas. En efecto, las medidas hostiles impuestas a la Isla desde hace más de medio siglo son anacrónicas, crueles e ineficaces. Afectan a las categorías más vulnerables de la población y constituyen el principal obstáculo al desarrollo del país. Del mismo modo, la brutalidad de las sanciones ha aislado a Washington en la escena internacional donde hasta sus más fieles aliados exigen desde hace varias décadas el levantamiento de este estado de sitio.

No obstante, las declaraciones de buena voluntad del presidente Obama, oficialmente favorable a la supresión de las sanciones económicas, no van seguidas de actos. Peor aún, la Casa Blanca sigue aplicando con una absoluta severidad su política hostil, incluso en sus aspectos extraterritoriales, mofándose de las reglas elementales del derecho internacional.

Así, Crédit Agricole (CA), un banco francés, acaba de ser condenado a una multa de 694 millones de euros en Estados Unidos por realizar, entre otros, transacciones en dólares con Cuba. Se trata de la cuarta multa más importante impuesta a una institución financiera por Washington. CA está acusado de violar la Inter­national Emergency Economic Powers Act, ley federal estadounidense de 1977 que permite al presidente limitar los intercambios con algunas naciones. Frente a las amenazas de cerrar todas sus actividades en territorio estadounidense, el banco francés no tuvo más remedio que aceptar la sanción.

En el 2014, BNP Paribas tuvo que pagar la suma astronómica de 6 500 millones de euros a Washington por mantener relaciones financieras con La Habana. No obstante, Crédit Agricole y BNP Paribas respetaron escrupulosamente la legislación francesa, el derecho europeo y el derecho internacional.

Estas entidades no co­metieron ninguna ilegalidad en absoluto. Am­bas fueron víctimas, como otras muchas empresas mundiales, de la aplicación extraterritorial —y por consiguiente ilegal— de las sanciones económicas de Estados Unidos contra Cuba. En efecto, una ley nacional no puede aplicarse fuera del territorio del país. Así, otra vez, Washington ataca de modo arbitrario los intereses franceses.

Es importante subrayar que es el presidente Obama y no el Congreso quien tomó esa decisión, en singular contradicción con el discurso ante las Naciones Unidas de optar por un enfoque basado en el diálogo, el entendimiento cordial y el respeto del derecho internacional.
No es la única contradicción del inquilino de la Casa Blanca. En efecto, como jefe del poder ejecutivo, Barack Obama dispone de todas las prerrogativas necesarias para desmantelar la casi totalidad de la red de sanciones económicas, sin necesitar el acuerdo del Congreso. Así, el presidente de Estados Unidos puede perfectamente autorizar el comercio bilateral entre am­bas naciones. Puede también autorizar a Cuba a usar el dólar en sus transacciones internacionales y permitir que la Isla adquiera en el mercado mundial productos con más del 10 % de componentes estadounidenses. Obama puede también legalizar la importación de productos fabricados en todo el mundo a partir de materias primas cubanas y consentir la venta a crédito de productos no alimenticios a la Isla.

Solo hay tres aspectos que Barack Obama no puede tocar sin la autorización del Congreso. No puede autorizar el turismo ordinario a Cuba. Tampoco puede permitir que Cuba adquiera materias primas alimenticias en el mercado estadounidense a crédito. Finalmente, el presidente no puede autorizar que las filiales de las empresas estadounidenses ubicadas en el exterior mantengan relaciones comerciales con la Isla.

En cuanto al primer aspecto, la respuesta es simple. El presidente Obama puede evitar el obstáculo legislativo ampliando la definición de las categorías de ciudadanos estadounidenses autorizados a viajar a Cuba. Hay actualmente 12 e incluyen entre otros los viajes académicos, culturales, científicos, periodísticos, profesionales, educativos, etc. Así, Barack Obama podría perfectamente ampliar la definición de viaje cultural a Cuba y decidir, por ejemplo, que todo ciudadano que se comprometiera a visitar un museo durante su estancia en la Isla sería incluido en esta categoría. En cuanto al segundo tema, si el poder ejecutivo no puede autorizar la venta a crédito de alimentos a Cuba, Obama puede permitir que Cuba compre a crédito en el mercado estadounidense todo producto no alimenticio. El tercer punto no tiene ningún efecto pues si el presidente Obama autoriza que las empresas estadounidenses instaladas en el territorio nacional tengan relaciones comerciales con Cuba, no sería necesario recurrir a las filiales.

Barack Obama es el presidente estadounidense que ha tomado las decisiones más avanzadas en el proceso de acercamiento con Cuba al restablecer las relaciones diplomáticas y consulares y al adoptar algunas medidas limitadas que flexibilizan las sanciones. También es quien ha tenido el discurso más lúcido sobre la política exterior de Washington hacia La Habana, reconociendo el fracaso de un enfoque basado en la hostilidad. No obstante, sus acciones castigadoras hacia empresas internacionales, así como su reserva en tomar las medidas necesarias para desmantelar el estado de sitio económico contradicen sus declaraciones de principios y suscitan la incomprensión de la comunidad internacional.

(Tomado de Al Mayadeen)

Cuba e EUA assinam primeiro acordo de roaming

Cuba e os Estados Unidos assinaram nesta segunda-feira (2), na capital cubana, o primeiro acordo de roaming direto entre os dois Estados, através da estatal cubana Etecsa e a empresa norte-americana Sprint.

Cuba Debate

O vice-presidente da Câmara dos EUA afirmou que desde 1999 há interesse em estabelecer relações comerciais com CubaO vice-presidente da Câmara dos EUA afirmou que desde 1999 há interesse em estabelecer relações comerciais com Cuba

O serviço vai começar a funcionar “nas próximas semanas”, assim que terminem os trabalhos técnicos, disse o presidente da Sprint, Marcelo Claure. Este acordo vai permitir que os 60 milhões de clientes da Sprint possam “receber e realizar chamadas, enviar e receber mensagens de texto e transmitir dados na rede da Etecsa com os seus próprios celulares”.

O acordo é fruto da primeira reunião entre as Câmaras de Comércio dos dois países. “Para os Estados Unidos fortalecerem as relações com a Câmara de Comércio de Cuba é muito importante, assim como eliminar as diferenças que possam existir e tratar de melhorar as relações”, afirmou o vice-presidente da Câmara de Comércio dos Estados Unidos, Myron Brilliante.

Já o presidente da Câmara de Comércio de Cuba, Orlando Hernández Guillén, reiterou o convite para os norte-americanos irem à ilha participar da 32ª Feira de Havana, onde poderão constatar que os dois países têm objetivos em comum que são ofuscados pelo bloqueio econômico.

Segundo Orlando, esta edição da feira será a maior já organizada em toda a história da ilha. Mais de 900 empresas, de cerca de 70 países, estarão presentes no evento que terá mais de 20 mil metros quadrados de extensão.

Do Portal Vermelho, com agências

Deputados gaúchos assinam carta pedindo fim do bloqueio dos EUA a Cuba

Deputados Roso, Valdeci  e Ricardo, da Associação José Martí, falam sobre a carta | Foto: Juarez Junior | Agência ALRS

Por: Débora Fogliatto

A Frente Parlamentar Gaúcha de Apoio ao Povo Cubano assinou, nesta quarta-feira (26), uma carta que será enviada ao Congresso dos Estados Unidos pedindo o fim do bloqueio econômico ao país caribenho. O documento foi uma iniciativa da Associação Cultural José Martí, que existe em várias partes do Brasil e, nacionalmente, colhe assinaturas de parlamentares para levar a Washington.

O presidente da Frente, deputado Juliano Roso (PCdoB), destacou que o povo cubano “nos fornece ensinamentos de como resistir ao imperialismo e ao capitalismo”, além de deixar inúmeros legados para a saúde e a educação, com a erradicação do analfabetismo no país e diversos avanços na área da medicina. “A economia socialista cubana conseguiu um espaço de inserção de um projeto de desenvolvimento que levou à melhoria das condições de vida do povo”, afirmou.

Atualmente, com o restabelecimento de relações diplomáticas entre Estados Unidos e Cuba, a principal reivindicação é o fim do bloqueio econômico. O ex-deputado Raul Carrion (PCdoB), que deu início à Frente em 2009, lembrou que a reabertura das embaixadas representa o fim de “mais de 50 anos de uma política de terrorismo econômico, de agressão a Cuba”, mas que apenas será superado com o fim do bloqueio e a saída de Guantánamo. Os Estados Unidos mantêm uma prisão em uma base militar que ocupa parte da ilha cubana, o que Carrion avaliou ser “contra qualquer norma do direito internacional”.

Valdeci foi o primeiro a assinar o documento | Foto: Juarez Junior | Agência ALRS

Presidente da Associação José Martí no Rio Grande do Sul, Ricardo Arend Haesbaert apontou que apenas o Congresso estadunidense pode determinar o fim do bloqueio, visto que ele foi criado a partir de leis locais, há mais de 50 anos. “O Parlamento gaúcho tem trabalho histórico referente ao povo cubano. Esta carta será entregue em setembro em Washington, e também pede a devolução de Guantánamo a Cuba”, resumiu.

A carta destaca que o embargo tem causado dificuldades ao povo cubano, mas também prejudica o povo norte-americano, “pois impede a possibilidade de intercâmbios culturais e acesso a novas tecnologias médicas, como o medicamento seguro que reduz em 78% o risco de amputação causado pela diabete”. A expectativa dos movimentos de solidariedade ao povo cubano é que o Congresso “escute as vozes dos povos da América Latina e do Caribe”.

Ricardo mencionou o programa Mais Médicos, ao qual os profissionais cubanos aderiram em massa, com mais de 10 mil pessoas trabalhando atualmente no Brasil. Isso também foi citado pelo deputado Valdeci de Oliveira (PT): “o Brasil tem que agradecer aos médicos que deixaram suas famílias lá e vieram cuidar do nosso povo”.

A carta é a primeira ação concreta da Frente junto à Associação e com o Comitê Internacional pela Paz, Justiça e Dignidade aos Povos, que surgiu da luta pela libertação dos cinco cubanos, agentes de inteligência que foram presos em Miami em 1996. Os três últimos detidos foram libertados no final de 2014 pelo presidente Barack Obama. “Depois da libertação e do restabelecimento das relações, precisamos manter a luta. Agora, não depende do presidente, mas do Congresso estadunidense para levantar o bloqueio econômico”, explicou Ricardo.

A Frente já é formada por 25 deputados, que agora serão procurados para também assinar a carta. Além de Roso e Valdeci, o deputado Altemir Tortelli (PT) também já assinou o documento.

Cuba hoje: uma complexa e singular experiência; “Ser cultos é o único modo de sermos livres”: José Martí

Por Silvana Suaiden*

“Ser cultos é o único modo de sermos livres”, José Martí. A frase citada por esta grande figura da história de Cuba – talvez, o maior inspirador de sua história revolucionária – revela muito bem a estreita correlação entre a educação e o processo revolucionário que teve, em José Marti, seu mais consistente e genuíno referencial.

 
“O lado de Cuba que conheci, no entanto, me deu muita esperança de que os cubanos seguirão resistindo e sendo um povo soberano e solidário. O que se construiu humanamente será difícil destruir”.

O presente artigo é fruto de minha participação no curso de Pós-Graduação em Pedagogia Participativa Cubana, realizado na Escuela Superior Ñico Lopes em Havana, de 01 a 10 de julho de 2015. Oportunizado pelo CES (Centro Nacional de Estudos Sindicais e do Trabalho), o curso contou com o apoio das centrais sindicais dos dois países: a CTC (Central dos Trabalhadores de Cuba) e a CTB (Central dos trabalhadores e trabalhadoras do Brasil).

A pedagogia participativa cubana é reconhecida mundialmente como uma experiência exitosa, tanto no que diz respeito à formação escolar e técnica de seus jovens, quanto à formação integral de seus cidadãos e qualitativa de seus quadros sindicais e políticos. Tal experiência não se explica nem se entende senão no contexto do processo revolucionário cubano, cujo sistema político dele resultado se construiu na coerência dos ideais buscados e na integração entre escolas e as diversas organizações sindicais, populares e políticas.

O objetivo deste, pois, é compartilhar a impressão que tive do curso e da viagem, a qual durou 16 dias, assim como alguns dos aprendizados e das reflexões suscitadas pela experiência, já que visitar Cuba, nesse momento social e político tão complexo, é uma oportunidade única. Interessa-me, nesse momento, trazer à luz alguns elementos que possam nos ajudar a entender o que é Cuba, sem a pretensão de perseguir qualquer visão totalizadora e definitiva sobre o assunto. Considero, ainda, os artigos já disponibilizados na internet sobre a mesma viagem de nossos companheiros Liliana Aparecida de Lima, psicóloga e professora da PUC-Campinas, e Augusto César Petta, coordenador do grupo que viajou a Cuba pelo CES.

Não conhecia a ilha. De sua história, apenas algo muito genérico por poucas leituras e o desconhecimento construído pela campanha midiática e mundial anti-cubana que reduz a realidade dos cubanos a casas e carros velhos pelas ruas, salários baixos, pobreza material e ditadura comunista. O que dizem, certamente, é para deixar qualquer um com medo. Mas também sabemos que, para lá, são levados grupos de turistas (com guias patrocinados pelos opositores do regime atual) a fim de convencê-los de que os cubanos vivem na miséria, que o comunismo é sinônimo de pobreza e que Fidel é o quarto homem mais rico do planeta; e coisas do estilo…

Embora eu soubesse das distorções da campanha midiática, que sempre foi voz das classes dominantes e da direita no Brasil e no mundo (satanizar Cuba é um dos meios que a direita utiliza para fazer oposição a qualquer projeto político que seja popular – mesmo que não seja socialista), não tinha os argumentos e os elementos de contexto necessários para entender tal realidade de forma mais adequada, seja no seu plano sócio-político ou ideológico. Daí que chegar a Cuba pela primeira vez significou uma grande expectativa. Nesse sentido, posso dizer, sim, que tanto o curso como os passeios pelos museus, lugares típicos de Havana e Villa Clara, conversar com pessoas nas ruas, nos hotéis, nas casas… foi de fundamental importância. A viagem, em si, foi uma verdadeira escola! Só estando lá, com a mente aberta, para entender como Cuba foi e é capaz de influenciar tanta gente.

Com uma perspectiva de abertura e de receptividade diante do povo cubano e de sua trajetória, o que se pode perceber, de forma geral, é que Cuba não é um país que “teve” uma revolução, mas um país que “está” em revolução. Tal singularidade só pode ser percebida desde o interior de sua realidade. A combinação desse sentimento entre os mais de dez professores/as que nos ministraram as aulas, profunda e altamente qualificados/as, e a maioria dos cidadãos comuns com os quais conversávamos nas ruas, nas filas, no ônibus…, foi se definindo à medida em que fazíamos perguntas sem preconceitos. Há muitas pessoas descontentes, sim, pois sofrem carências. E é importante entender esse sentimento. Mas há também o orgulho pela sua história e pela revolução. Apesar de serem reticentes frente aos acordos Cuba-EUA no que se refere a uma abertura do país e fim do bloqueio, há memória, esperança e resistência no meio do povo.

Além das paradisíacas praias caribenhas, o que se encontra em Cuba hoje não é um mar de miséria, embora ainda haja a carência de muitos bens materiais que, segundo o padrão de qualquer sociedade capitalista, significa uma grande pobreza. Para entender o que lá se vive, é preciso visitar a sua história, pelo menos dos últimos 70 anos e, sobretudo, o período especial que significou o sangramento da nação.

Como a maioria dos países latino-americanos e caribenhos, Cuba foi um país colonizado – de diversas formas – por espanhóis e ingleses e, por essa razão, contou com uma série de rebeliões desde o início do séc. XIX. Ocupada pelos EUA até início do século XX, Cuba seguirá nas primeiras décadas do século passado sob a influência e o poder dos EUA, porém com o acirramento de diversos movimentos de independência. Na década de 1950, um grupo de jovens liderados por Fidel Castro Ruz, ao qual se somou depois o argentino Ernesto Guevara de la Serna, empreende uma revolta camponesa contra o ditador e vassalo dos americanos Fulgencio Batista, chamado até hoje, popularmente, de “El Tirano”. Nesse período, Cuba era também conhecida como quintal dos Estados Unidos que impunha ao país seus interesses acima dos da população cubana. Esta vivia, em sua maioria, na miséria e no analfabetismo, repressão sangrenta do estado, patrocínio e aumento da prostituição, convertendo Cuba em um verdadeiro bordel do Caribe e, sobretudo, para os EUA.

A revolução guerrilheira e camponesa encabeçada por Fidel e Che Guevara, após anos de tentativas e investidas frustradas, teve seu desfecho em janeiro de 1959, com o aumento e o avanço das forças rebeldes, com a fuga das elites nacionais e estrangeiras e do ditador que, aliás, levou de Cuba todo o tesouro nacional. Embora se reconheça também os erros que podem acompanhar toda revolução armada, o saldo da revolução cubana supera os erros do processo. Este foi e é reconhecido mundialmente por suas conquistas sócio-culturais: extinção do analfabetismo no primeiro ano da revolução, crescimento científico e cultural, modelo de educação participativa, formação de excelência em medicina, educação e saúde públicas gratuitas e de qualidade, estatização do latifúndio (inclusive das terras da família do Fidel e de outros dirigentes), socialização da moradia e criação de cooperativas que deram ao povo uma qualidade de vida e condição econômica invejável para qualquer país caribenho ou latino-americano naquela época. Outros exemplos para nós, latino-americanos: 50% do parlamento cubano é integrado por mulheres, que são também a maioria em importantes setores da sociedade como o jurídico, o educacional e o da saúde; tem uma ínfima taxa de mortalidade infantil; além disso, apesar de seus poucos recursos, Cuba é reconhecida pela erradicação do analfabetismo (99,9 da população está alfabetizada e boa parte dela fala, pelo menos, 2 idiomas) e de muitas enfermidades ainda presentes em vários países do mundo…

Mas, com todas essas conquistas…, como Cuba, então, teria chegado à carência material que vemos nos últimos tempos? Casas velhas, sem reforma, salários baixos, falta de produtos há muito considerados básicos pelo restante dos países… Temos que nos reportar, novamente, à história da revolução cubana. Uma das consequências internacionais para o processo revolucionário foi o bloqueio naval e bloqueio econômico imposto a Cuba pelos EUA e aliados, já nos primeiros anos da revolução, o que deve ser considerado um crime contra o povo cubano. De fato, se a revolução desse certo, os interesses do capital teriam muita dificuldade de se imporem como se impuseram em todo o continente. Sem falar no “péssimo” exemplo que seria Cuba para o resto do mundo!

Com o bloqueio/embargo, o país perde 85% de seu mercado. Um pouco mais tarde, com a queda do muro de Berlim e o fim do regime socialista russo (antiga União Soviética), que até então amparava e dava suporte financeiro, militar e estrutural a Cuba, o país entra em profunda recessão após os russos se retirarem. Esfolados pelo bloqueio econômico durante décadas e sem amparo, a partir dos anos 90 o país, que conta com pouca diversidade de recursos naturais (por várias décadas, a ilha teve que importar cerca de 80% dos alimentos que consome!), ficou desabastecido e carente de indústrias e renovação de bens. Durante algum tempo, sequer tinham comida suficiente, sabonete para banhar-se e material de construção para fazer reformas. Desde então, uma cota de bens básicos (alimentos e alguns produtos de higiene) é oferecida gratuitamente e de forma racionada para todo cidadão cubano. Nos períodos mais críticos, a cota teve exclusão de itens. Até os dias de hoje, porém, há uma série de outros produtos subsidiado pelo governo, aos quais estrangeiros não temos acesso, além do transporte coletivo ser quase gratuito para os cubanos.

Forçadamente isolada, Cuba utilizou de medidas muito duras para manter o regime revolucionário e o povo com o mínimo necessário. Esta fase, também chamada de “período especial”, repercutirá até os dias atuais e só começará a dar sinais de mudança nestes últimos anos. Com tal carência, muita gente fugiu do país, que fica cerca de 150 km de Miami. Com o envio de dólares pelos cubanos de Miami a seus familiares, hoje o país conta com essa desigualdade social e com uma faixa de jovens que não quer estudar nem trabalhar e que tem coisas (comida, celulares, tablets, joias, roupas…) que os outros cubanos não podem ter com seu salário. Um sério abacaxi para ser descascado pelo governo! No entanto, em Havana e outras localidades podemos ter um profundo sentido de segurança, embora, também de uma excessiva tutela e controle social em alguns ambientes. Não raro se escuta dizer que lá não tem baleados, nem sequestro ou tráfico de armas… Mas cuidado! Como nos disse um amigo trabalhador do hotel onde ficamos: “aqui não é favela, mas também não é o Vaticano” (mal sabe ele sobre o vaticano!!), querendo alertar-nos para a ocorrência de fraudes e de golpistas que vai aumentando no país.

O contexto, que amadora e brevemente acabamos de descrever, deve ser considerado por todos aqueles que desejam, sinceramente, entender a situação atual de Cuba. O descontentamento de parte da população em relação ao país se deve, em parte, à pobreza imposta pelo bloqueio e à sedução do capital que já chega e, por outra, à campanha dos cubano-americanos, os “contra” o regime de Fidel, que financiam a oposição política em Cuba pela queda do regime socialista. Quantos atentados a Fidel e tentativas de invasão dos EUA à ilha que a mídia não noticiava!! Quando escutávamos os relatos do que eles passaram no período especial, eu me perguntava se seria capaz de resistir a essa situação, como a maioria do povo cubano resistiu. Daí, penso, a importância de um processo revolucionário que teve na educação seu principal pilar. Porém, não se trata de qualquer educação.

O que em Cuba se destaca em relação ao seu modelo e processo educativo foi sendo construído ao longo dos anos, das décadas… Embora tenha tido grande influência do método de Paulo Freire nos princípios da revolução, sobretudo no que se refere ao movimento pela alfabetização massiva da população, os cubanos conseguiram criar um construtivismo próprio, com foco no desenvolvimento integral do sujeito social, mas também de sua personalidade. Fidel e Che Guevara foram os principais incentivadores da educação desde o início do processo revolucionário. Nos idos dos anos 50, quando Fidel e seus companheiros estiveram presos, estudavam. No campo ou nas aldeias, nos quartéis, abriam escolas populares… Alfabetizavam e ensinavam filosofia e história… Ensinavam a pensar criticamente. Naquele país, ninguém que queira ascender a um cargo o faz sem estudar. Na segunda semana de nosso curso, na Escola Superior Ñico Lopes, havia todo um ministério do governo lá estudando. Como dizia Fidel Castro: “É impossível organizar um povo e um país para os graus mais altos sem educação”.

Tal exemplo é digno de admiração e podemos sintetizar em poucas e significativas palavras as ênfases ou tendências que – segundo o que nos ensinaram e pude perceber – sustentam o projeto educativo cubano nos dias de hoje: profunda consciência de sua condição no mundo e história; estreita relação teoria e prática; enfoque sistêmico; sistematização da experiência e desenvolvimento do pensamento abstrato; lógica, teoria do conhecimento e metodologia geral baseados na concepção dialética materialista; compreender a essência das coisas/realidades pela participação nos processos; regressar à prática para transformá-la; uso racional e equilibrado da tecnologia; formação ideológica e de valores para o exercício da justiça e o projeto social; formação integral e continuada de todos os quadros; busca de excelência no ensino superior, visando tanto o crescimento profissional como humano; capacidade de auto superação e auto avaliação; aperfeiçoamento do sistema nacional de educação ano a ano; constante auto preparação; visão interdisciplinar; processo educativo que dá protagonismo ao estudante e ao docente, onde ambos devem ser sujeitos ativos e críticos no processo; respeito às crenças e diversidade ideológica de cada um. Não se pode negar que foi o processo revolucionário integral que deu ao sistema educacional cubano as condições para ser um dos países mais bem avaliados internacionalmente quanto aos índices de qualidade da educação.

A partir dessas percepções, entendo por que, quando perguntamos às pessoas se tinham esperança no processo de abertura, vários cubanos se expressavam nesses termos: “Sim, queremos muito que isso aconteça, mas não queremos chegar à situação que vocês, no mundo capitalista, chegaram”. Entre os cubanos existe uma consciência muito crítica, tanto em relação a si como ao mundo exterior: sabem o que deve ser mudado em sua realidade, embora ainda não tenham tanta clareza dos caminhos a percorrer; porém, não querem se tornar, novamente, reféns do capital. Como isso será possível, nós não sabemos; mas alguns nos afirmaram, com muita convicção, que não deixariam Cuba perder sua soberania. A história o dirá.

O lado de Cuba que conheci, no entanto, me deu muita esperança de que os cubanos seguirão resistindo e sendo um povo soberano e solidário. O que se construiu humanamente será difícil destruir. E, com certeza, continuarão a inspirar parte dos povos para a busca de um mundo melhor para todos e todas.

Silvana Suaiden é  teóloga e professora da PUC-Campinas, Vice-presidente da Apropucc (Associação dos Professores da PUC-Campinas) e Diretora do Sinpro (Sindicato dos Professores de Campinas e Região).

Gema: Todos contra o bloqueio !!!

Por: Diana Concepción

Enquanto navegava na Internet eu encontrei esta foto bonita de Gema, afilha de  Gerardo e Adriana,  amada por todos Cuba. Em 27 de outubro, o mesmo dia em que o nosso país das Nações Unidas recebeu uma vitória esmagadora de 191 votos exigindo o fim do bloqueio na página de Facebook da Gema e seus pais vieram uma exortação: “Todos contra o bloqueio !!” .

Quando pequena menina crescer, muitas histórias vão saber: o infinito amor leal entre seus pais, que conheciam a derrota ignominiosa das injustiças, e a luta de um povo inteiro, porque seu pai e os tios dela, Gerardo Ramón, Tony, Fernando e René, agora  vivem livremente em Cuba.

Gema também aprenderá uma palavra, a mesma que comentou no Facebook:         BLOQUEIO.  Esperemos que por esse tempo as oito letras as quais que ela nasceu e não uma política cruel que dificulta o desenvolvimento e o bem-estar de uma ilha onde as crianças como ela, apesar de viver bloqueado, é e será sempre a esperança mundo.

Educação Especial em Cuba: uma bela obra, que o bloqueio não conseguiu afastar do coração

Por: Otilia Raisa Martin Wolf 

A educação especial tem sido  afetada pelo bloqueio que mais de 50 anos, o governo dos Estados Unidos mantém contra Cuba. Esta política tem causado enormes prejuízos materiais para Cuba, alem dos esforços do governo cubano para continuar a tarefa nobre, é uma obra de amor infinito. Um exemplo disso é a escola especial 14 de junho Guantanamo.

“O desafio cardeal desta escola especial, é reabilitar os alunos com necessidades educativas especiais e, em seguida, incorporá-las na sociedade.” Então Dagmaris Bosch diz Soler, Doutor em Ciências Pedagógicas e desde a sua fundação, diretor do centro de estudo onde 175 crianças com necessidades educativas especiais, incluindo dois cegos, baixa visão 34, 99 estrabismo e ambliopia, 3 surdos-cegos e surdos 37 e com dificuldade de audição de toda a província oriental, incluindo as áreas das montanhas.

“Para atingir o objetivo principal para os nossos alunos, diz o diretor do centro, está na necessidade de equipamentos importantes que contribuem para a correção e / ou compensação de suas afetações, tanto sensoriais, auditivas e visuais. Mais – continua – estes dispositivos são vendidos no exterior a um custo elevado. Portanto, por causa do bloqueio torna-se impossível as compras deles”.

Não há maior satisfação do que ver como nossos alunos são homens e mulheres verdadeiras.Muitos deles são agora profissionais e até mesmo alguma parte do atual coletiva diz Damaris “.

“Pela política genocida, máquinas e folhas para aprender Braille para as crianças cegas e deficientes visuais, tem  que ser adquiridos em um país terceiro, e tiras, ábaco e bastões de aparelhos auditivos tambem.

“Audiômetros, polifonitos, aparelhos auditivos de alta potência, baterias, equipamentos de voz, vídeo, microfones e amplificadores para fornecer feedback para a comunicação de crianças surdas, são alguns dos equipamentos com os quais nossas crianças são afetadas pela presença de travamento assegura Damans. Mais – independentemente prosigue- o bloqueio econômico e financeiro para a ilha, o Estado cubano entregou para muitos dos nossos alunos e começam a fixação do implante coclear que tem um custo de US $ 50.000 cada.

A sombra do bloqueio não foi prejudicada no trabalho deste grupo de professores composto por doutores, mestres e doutorandos em educação especial que a cada dia, dão a sua alma a esses alunos com necessidades educativas especiais. “Para este trabalho, ele diz,  é a paciência e amor muito importante, porque o ensino aplicado é diferente, com temas específicos de acordo com a especialidade, a fim de alcançar as limitações de correção e compensação .

“É participações significativas de professores altamente competentes, enfatiza Damaris, também requer o apoio dos pais, a conscientização da comunidade e tais equipamentos caros, em muitos casos, como descrito, é muito difícil de adquirir devido ao bloqueio dos Estados Unidos. No entanto, quando há amor, dedicação e sensibilidade, não há bloqueio para parar o trabalho de nossos funcionários e mesmo ao lado de conceber crianças com necessidades especiais, diz este professor devotado.

Damaris Bosch Soler, diretor do campus de Referência Nacional também insistiu que “apesar das deficiências do bloqueio, as escolas recebem consulta semanal de médicos especialistas em pediatria, psiquiatria e cuidados permanentes nos olhos e ENT. Igualmente desfrutar os cuidados enfermeiros, dentistas, fonoaudiólogos, fisioterapeutas, psicólogos e assistentes educacionais durante todo o dia.

Há considerável sensibilidade e amor desta escola é exagerada, apesar das limitações. Patrocinado pela Universidade de Guantanamo, tem o grupo cultural de um futuro melhor e têm, por sua vez, Educação Plástica espaço da oficina de onde pinturas, brinquedos e artesanato suprimentos de tecidos e bordados.

“A melhor coisa que pode acontecer, diz Damaris, é vê-los como completo, revolucionários e pessoas preparadas. Eu gosto de ver os meus filhos, como eu digo, mostrando suas medalhas em jogos escolares e universitários graduados como psicólogos, advogados, defectologists, professores em língua de sinais e professores de educação física, hoje muitos deles são meus colegas e que Não tenho palavras para descrevê-lo. Trabalhando com o ensino especial é uma bela obra tal que não bloqueando-nos iniciar o coração “.

Que resposta daria o presidente dos Estados Unidos Barack Obama sobre o fim do bloqueio as crianças cubanas que são impedidas de ter todos os recursos necessários para a educação? Infelizmente não temos  resposta e probablemente nen o proprio presidente Obama a tenha . Do que estamos certos é que a força de trabalho da escola especial 14 de junho Guantanamo,  sinônimo de amor, continuar a trabalhar, como é hoje, que, apesar do bloqueio, os seus discípulos continuarão superando obstáculos para participar de uma sociedade que nunca vai deixar o sonho da felicidade.

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