O bloqueio econômico é um obstáculo nas relações Cuba-EUA

Resultado de imagen para bloqueo contra cubaWashington, 25 out (Prensa Latina) O bloqueio econômico, comercial e financeiro dos Estados Unidos contra Cuba é o principal obstáculo para a normalização das relações entre Havana e Washington, afirmou o embaixador cubano aqui, José Ramón Cabañas.

O diplomata cubano ofereceu uma entrevista ao jornalista Edmundo García, que foi transmitida ontem no programa A tarde se move, em Miami, onde abordou importantes temas de interesse bilateral.

Cabañas reiterou que existe um primeiro tema que está muito presente sempre, e mais ainda nestes dias, que é o bloqueio econômico, comercial e financeiro que os Estados Unidos impõe a Cuba há mais de meio século, e recordou que amanhã, quarta-feira, será a votação novamente na Organização das Nações Unidas, onde a comunidade internacional expressará sua opinião.

‘Este é o principal obstáculo para a normalização das relações com Cuba. Há outros que temos expressado pública e reiteradamente, a própria existência da Base Naval de Guantánamo contra a vontade do povo de Cuba, e as transmissões específicas e ilegais contra Cuba’, apontou.

‘Há um grupo de programas que têm uma essência subversiva para mudar o estado de coisas em Cuba e que continua sendo financiado no orçamento anual dos Estados Unidos, e que nós expressamos em mais de uma ocasião nosso repúdio a tais programas’.

Na opinião do embaixador cubano, esses são temas ‘que sabemos que vão continuar e no qual terão desencontros’ e recordou que recentemente em Havana foi realizada outra rodada de conversas sobre Direitos Humanos, ‘onde as nossas posições diferem na interpretação de um grupo de realidades’, e são temas sobre os quais se seguirá conversando, aparentemente durante um longo período.

Também referiu-se à diretiva presidencial que foi anunciada recentemente, e que estabelece os pontos principais da política dos Estados Unidos para Cuba no futuro.

Esta diretiva assinada por Obama – sublinhou o embaixador cubano – ‘diz de modo claro que a política anterior falhou porque não obteve resultados, não porque os objetivos estivessem equivocados, e nessa mesma diretiva se fala de questões que são totalmente ingerencistas para nossa soberania nacional’.

Reafirmou que ‘Cuba tem experiência, por ter enfrentado de tudo, uma guerra econômica, uma guerra militar – a invasão da Praia Girón -, campanhas midiáticas, até a introdução de doenças em nosso país para acabar com o gado suíno e com os próprios seres humanos’.

‘De Cuba – insistiu – dizemos que estamos prontos, se o desencontro é no terreno das ideias, que assim seja, porque somos um país amante da paz, que mantém excelentes relações com nossos vizinhos, mas ao mesmo tempo, estamos dispostos a defender nossa soberania e aceitar os desafios’.

PROCESSO DE NORMALIZAÇÃO DE RELAÇÕES ENTRE CUBA-EUA

O embaixador cubano nos Estados Unidos explicou que Havana e Washington chegaram a um ponto de suas relações onde ambas partes querem que não tenha reversão, e será interesse mútuo preservar o que se alcançou.

Cabañas sublinhou que, de ambas partes (Cuba e Estados Unidos), há um interesse mútuo de projetar essa relação para o futuro, e ‘sempre teremos a vontade de continuar os diálogos com aqueles funcionários que tenham a responsabilidade de continuá-los a partir de uma ótica de respeito mútuo e reciprocidade’.

‘A história, em geral, não é reversível, aqui não se deu nenhum passo secundário, é necessário entender que chegamos a este ponto por um grupo de processos históricos que têm relação com Cuba e Estados Unidos e com o contexto regional’, expressou o embaixador.

Acrescentou que ‘seria ilusão pensar que essas coisas possam retroceder a uma situação anterior, aqui podemos falar de ritmos, avanços, de como os cubanos que vivem nos Estados Unidos veem o futuro e a relação com seu país de origem, coisas que não podem ser mudadas, que têm caráter histórico, e se reafirmou em vários momentos’.

O diplomata explicou que as próprias autoridades estadunidenses têm dito que a nova relação, a nova política e os novos passos com Cuba criaram um novo contexto em sua relação regional.

‘A Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), que proclamou recentemente a América Latina e o Caribe como uma zona de paz, algo que é um fato sumamente positivo para a história deste hemisfério, e se Estados Unidos está em condições de se inserir nessa lógica regional será um fato positivo, mas veremos como estas tendências podem evoluir para o futuro’.

O mais relevante em todo este período – acrescentou Cabañas – foi ter um diálogo de mútuo respeito, que se comportou com total reciprocidade, desde o princípio sabíamos que havia um grupo de temas sobre os quais podíamos chegar a acordos com mais rapidez, e há outros que levam mais tempo.

Desde o primeiro momento falamos de duas etapas – precisou -, restabelecer relações, que foi o que fizemos em 1 de julho de 2015, e outros temas relativos à normalização das relações, que demanda um período de tempo mais longo, que inclui temas de mais longo prazo.

Informou-se publicamente – acrescentou – que temos diálogos para alcançar algum tipo de cooperação em 19 áreas diferentes, que vão desde a proteção de áreas marinhas, restauração dos voos diretos, correio postal, e saúde.

Ressaltou que recentemente foi assinado o último dos memorandos de entendimento entre as autoridades cubanas e estadunidenses sobre câncer, especificamente, e estes já chegam a uma cifra de 13, em diferentes áreas que refletem os temas de cooperação, além de uma comissão bilateral funcionando, que estabelece uma espécie de roteiro que situa como está a negociação e em que tema.

O chefe da missão diplomática cubana em Washington informou que no mês de setembro se estabeleceu o diálogo econômico, que terá quatro subgrupos para tratar uma diversidade de temas, e existe outra mesa relacionada com os temas da aplicação da lei – que são variados -, e no qual participam um grupo de agências importantes, tanto do lado estadunidense como da parte cubana.

 

Publicado em 25/10/2016, em Cuba- bloqueio. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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