Discurso proferido pelo presidente Raúl Castro Ruz, na 17ª Cúpula do MNOAL

A única alternativa para os enormes perigos e desafios que temos pela frente é a unidade e a solidariedade.

Estimado colega Nicolás Maduro, presidente da República Bolivariana da Venezuela;

Chefes de Estado e de Governo;

Estimados ministros, delegados e convidados;

Senhoras e senhores:

Nós somos 120 Estados Não Alinhados e contamos, ainda, com os Princípios de Bandung, com a Declaração sobre os Propósitos, Princípios e o Papel do Movimento dos Países Não Alinhados na conjuntura internacional atual, adotada na 16ª Cúpula, em Havana. Não se pode subestimar nossa enorme força quando agimos em conjunto.

Na própria Cúpula, em 2006, rejeitamos as tentativas de “mudança de regime” e fizemos um apelo para garantir que cada país do mundo se abstivesse de recorrer à agressão e ao uso da força.

Também em Havana, em janeiro de 2014, os Chefes de Estado e de Governo da Comunidade dos Estados da América Latina e do Caribe (Celac), com a assinatura da Proclamação da América Latina e do Caribe como zona de paz, reafirmamos o compromisso com os princípios da Carta das Nações Unidas e o direito internacional; com a solução das disputas pacificamente e o pleno respeito do direito inalienável de todos os Estados a escolher seu sistema político, econômico, social e cultural como uma condição essencial para garantir a coexistência entre as nações.

No entanto, estamos a assistir a crescentes ataques à soberania e à autodeterminação da Venezuela. Cuba reafirma seu apoio incondicional ao governo e povo venezuelanos, à união civil e militar e ao presidente constitucional Nicolás Maduro Moros (Aplausos).

Rejeitamos firmemente o golpe de Estado parlamentar-judiciário no Brasil contra a presidenta Dilma Rousseff, que constitui um ato de desrespeito à vontade soberana do povo que a elegeu com mais de 53 milhões de votos.

A irmã Colômbia terá o total apoio de Cuba para avançar no caminho difícil da aplicação do acordo e a consolidação da paz justa e duradoura que merece seu povo.

Expressamos nossa confiança de que o povo da República Árabe da Síria será capaz de resolver suas diferenças por si só, sem interferências externas destinadas a promover uma mudança de regime.

Companheiro presidente:

É inaceitável que o povo palestino ainda continue a ser vítima da ocupação e da violência e que a potência ocupante continue impedindo a criação de um Estado palestino independente, com Jerusalém Oriental como sua capital.

Todas as tentativas para assegurar a autodeterminação do sofrido povo saariano foram frustradas, o que requer da ação por parte da comunidade internacional.

Somos solidários com a demanda histórica do povo porto-riquenho em prol de sua autodeterminação e independência.

Também apoiamos a reivindicação da Argentina sobre as ilhas Malvinas, Sandwich do Sul e Geórgia do Sul.

Estimado companheiro Maduro:

Para Cuba, o não alinhamento significa a luta para mudar radicalmente a ordem econômica internacional imposta pelas grandes potências, que levou a que 360 pessoas possuam uma riqueza anual maior do que as receitas de 45% da população mundial. O fosso entre países ricos e pobres está crescendo. A transferência de tecnologia do Norte para o Sul é uma aspiração ilusória.

A globalização favorece, principalmente, um seleto grupo de países industrializados. A dívida dos países multiplica-se e já é de mais de US$ 1.7 trilhões.

Mais de 2,9 bilhões de pessoas são empurradas ao desemprego e a pobreza extrema; milhões de crianças morrem anualmente por causa da fome e de doenças evitáveis; quase 800 milhões de pessoas não sabem ler nem escrever, enquanto mais de US$ 1,7 trilhão é dedicado a despesas militares.

O não alinhamento também significa a luta para eliminar as lacunas de conhecimento e o uso das tecnologias da informação e das comunicações a favor do desenvolvimento e da cooperação. Rejeitamos sua militarização crescente e o uso agressivo contra terceiros países.

A mudança climática agrava-se e persistem nos países desenvolvidos padrões irracionais de produção e consumo que ameaçam as condições de existência de nossa espécie.

A realização dos direitos humanos continua a ser um sonho para milhões de pessoas em todo o mundo. Os Estados Unidos e a Europa empregam a manipulação, a dupla moral, a seletividade e a politização, enquanto ondas de refugiados estão lotando as fronteiras europeias, sem se acharem soluções justas, estáveis e permanentes para proteger sua vida e dignidade.

Estimado presidente Maduro:

Já transcorreram 21 meses desde que nós anunciamos, em simultâneo com o presidente Barack Obama, a decisão de restabelecer as relações diplomáticas entre Cuba e os Estados Unidos.

Têm havido alguns progressos, especialmente na arena diplomática e da cooperação sobre questões de interesse mútuo, mas não tem sido igual na esfera econômica e comercial, devido ao alcance limitado, embora positivo, das medidas tomadas até agora pelo governo estadunidense.

Cuba continuará exigindo o levantamento do bloqueio econômico, comercial e financeiro que tanto dano e privação nos causa e que também afeta muitos países, devido ao seu alcance extraterritorial; e vai continuar exigindo que seja devolvida à nossa soberania o território ilegalmente ocupado pela Base Naval dos Estados Unidos em Guantánamo.

Sem isso não poderá haver relações normais, como tampouco será possível se não se põe fim a outras políticas ainda em vigor, que são prejudiciais à soberania de Cuba, como os programas subversivos e de intervenção.

Reafirmamos a vontade de manter relações de convivência civilizada com os Estados Unidos, mas Cuba não vai abrir mão de um só dos seus princípios, nem vai fazer concessões inerente à sua soberania e independência (Aplausos). Ela não vai recuar na defesa dos seus ideais revolucionários e antiimperialistas, nem no apoio à autodeterminação dos povos.

Companheiro Maduro:

Desejamos todo o sucesso à irmã República Bolivariana da Venezuela à frente dos Países Não Alinhados, enquanto felicitamos a República Islâmica do Irã por seu trabalho no mandato recentemente concluído.

A única alternativa diante dos enormes perigos e desafios que temos pela frente é a unidade e a solidariedade em defesa dos nossos objetivos e interesses comuns.

Muito obrigado (Aplausos).

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Publicado em 19/09/2016, em Cuba, MNOAL, Venezuela. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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