Não deixem que Brasil sofra outro golpe de Estado, pede defesa de Dilma

Brasília, 30 ago O advogado defensor José Eduardo Cardozo conclamou hoje à plenária do Senado Federal a não permitir que Brasil sofra um novo golpe de Estado nem condene à morte política a Dilma Rousseff, uma mulher digna e honesta.
Julguem pela justiça, pela democracia e pelo Estado de Direito, exortou Cardozo aos senadores -agora erigidos juízes- ao apresentar suas alegações em que deve ser a última sessão do julgamento político seguido contra a separada Presidenta por suposto delito de responsabilidade.

O letrado destacou que se Dilma for condenada, ainda quando não existe ato omissivo nem comissivo de sua parte e menos ainda dolo em sua conduta, será ‘uma execração que se faz a uma pessoa digna; uma pena de morte política’.

Fez questão de que as acusações formuladas contra sua defendida são ‘clamorosamente improcedentes’ por estar viciadas, desde início, pelo desvio de poder praticado pelo ex-titular da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha, réu da justiça e quem enfrente um processo por quebra do decoro parlamentar.

Este processo começou no minuto seguinte após conhecer-se os resultados das eleições presidenciais de 2014, vencidas por Dilma, disse e assegurou que a partir de então começaram a se procurar pretextos para o impeachment.

Explicou que a oposição a Rousseff encontrou em Cunha um elemento capaz de impulsionar desde o Legislativo a desestabilização do Governo e também o vértice onde convergissem os resentidos com a derrota nas urnas e os políticos interessados em frear a operação anticorrupção Lava Jato.

Tudo foi montado na perspectiva condenatoria da forma mais perversa possível, sustentou o advogado, que manifestou que a acusação põe o acento no chamado ‘conjunto da obra’ porque os pretextos sobre os quais se erige a denúncia são, em todos os casos, irrelevantes e incompreensíveis para o cidadão.

Cardozo recordou que em épocas da ditadura militar Dilma Rousseff foi detida três vezes, torturada e condenada, como outros militantes políticos, também pelo conjunto da obra, ‘porque o que precisavam (os golpistas) era precisamente matar a obra’, refirmou.

Na sessão de hoje intervieram também os acusadores, advogados Miguel Reale Júnior e Janaína Paschoal. Esta última atribuiu a Deus o fato que ‘várias pessoas, ao mesmo tempo e a cada uma em seu âmbito, percebessem o que estava sucedendo no país e tivessem a coragem de fazer algo a respeito’.

Ontem, Dilma Rousseff compareceu ante o pleno senatorial, ante o qual ratificou que não cometeu delito de responsabilidade, respondeu perguntas durante para perto de 14 horas e terminou sua autodefesa pedindo aos legisladores votar com consciência, pois de ser afastada definitivamente de seu cargo o país sofrerá uma ferida difícil de curar.

Para que o mandato de Rousseff seja interrompido se requererá do apoio da maioria qualificada do pleno senatorial (54 votos). Em tal caso, o mandatário em funções Michel Temer permanecerá nesse posto até 1 de janeiro de 2019.

Se pelo contrário mais de 27 senadores votarem por restituir o mandato a Dilma, esta reassumiria a chefia do Estado uma vez seja publicada a sentença absolutória.

Prensa Latina
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Publicado em 31/08/2016, em Brasil, Dilma. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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