Objetivo dos EUA na Síria é destruir o país, assegura especialista

Damasco, O principal objetivo dos Estados Unidos na Síria não é derrubar o presidente Bashar Al Assad, mas destruir toda a costa deste país, assinalou aqui Thierry Meyssan, fundador e presidente da entidade acadêmica Rede Voltaire.

Em declarações à Prensa Latina, Meyssan assegurou que ainda que os serviços de inteligência norte-americanos conheçam o papel essencial de Assad para manter a unidade deste país levantino frente à agressão externa, a saída do mandatário do poder é uma meta colateral na estratégia da Casa Branca.

Acrescentou que a campanha aérea que Washington começou em setembro de 2015 em território sírio é uma ação ilegal porque ocorre sem o consentimento das autoridades desta nação, viola o direito internacional e ataca alvos industriais e de infraestrutura com o fim de desmantelar o Estado sírio.

Com estes bombardeios, supostamente dirigidos contra o Estado Islâmico (EI), Washington intervém em prol de determinados grupos armados que operam no norte do país e contra outros, mas o faz de uma forma que gera caos e confusão no desenvolvimento da guerra, acrescentou o prestigioso intelectual francês.

O especialista, também diretor da conferência Axis for Peace, disse que os Estados Unidos e seus aliados não podem intervir na zona síria próxima ao mar Mediterrâneo, devido à presença russa na área, particularmente nas províncias de Latakia e Tartus, a mais de 200 quilômetros ao norte de Damasco.

Acrescentou que as forças armadas dessa nação euroasiática estabeleceram ali um sistema de alta tecnologia que interfere em todo tipo de vigilância eletrônica num raio de mais de 300 quilômetros e o comando militar estadunidense chegou à conclusão de que não pode saber completamente do que ocorre nesse teatro de operações.

O acadêmico assinalou ademais que é difícil para os integrantes da coalizão encabeçada pelo Pentágono, definir quais são os objetivos dos grupos armados que operam no norte da Síria, nem sequer podem determinar com certeza os resultados de suas ações no terreno.

Inclusive às vezes a aviação estadunidense bombardeia grupos armados e sem querer beneficia as operações do Exército sírio, pois chega a esse nível de confusão nestas operações, assegurou o acadêmico.

Chamou ainda a atenção sobre as partes que quase diariamente são emitidas pelo Comando Central das forças armadas dos Estados Unidos -entidade encarregada destas incursões- quando informa de maneira sucinta a realização dos bombardeios, tanto na Síria como no Iraque para destruir alvos do EI, conhecido por Daesh em árabe.

Destacou que as ações do Pentágono contra os ditos extremistas no norte do território sírio não têm como fim sua eliminação total, mas constituem uma via para consolidar a divisão dessa zona, e manter os grupos armados ligados a seus interesses estratégicos em outros setores.

Os Estados Unidos, em cooperação com seus parceiros ocidentais e do Oriente Médio, teve um papel essencial na criação do EI, mas este se lhes converteu em um monstro que agora não pode controlar, destacou Meyssan, quem assegurou que na Síria está o destino não só deste país, mas de uma boa parte da humanidade.

A Rede Voltaire, fundada na França em 1994 e com sede central em Paris, é uma organização internacional sem fins lucrativos, que promove a publicação de estudos com visões alternativas a respeito da política de Washington e seus aliados no Oriente Médio e outras regiões do mundo.

A página digital desta entidade está disponível em francês,inglês, espanhol, árabe italiano, polonês e português.

Prensa Latina

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Publicado em 11/07/2016, em EUA, Síria. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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