O caminho rumo a uma paz estável e duradoura

TRÊS anos e sete meses depois de iniciados os diálogos de paz, as delegações do governo de Juan Manuel Santos e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia-Exército do Povo (FARC-EP) anunciaram, em Havana, um histórico acordo sobre o fim do cessar-fogo e de hostilidades bilateral e definitivo.

Em um comunicado conjunto emitido na capital cubana, sede das conversações, ambas as partes asseguraram que pactuaram também o desarmamento, as garantias de segurança e a luta contra as organizações criminosas responsáveis de homicídios e massacres.

Os pontos conveniados na quinta-feira, dia 22 de junho, são temas chaves do terceiro ponto da Agenda denominado Fim do Conflito. No tinteiro fica pendente ainda aceitar posições relacionadas com a implementação, verificação e referendo do Acordo Final, e com alguns subtemas pendentes de outros assuntos.

Em janeiro, as partes solicitaram da ONU monitorar o cessar-fogo como uma fonte de resolução de conflitos.

Amanhã será um grande dia! Trabalhamos por uma Colômbia em paz, um sonho que começa a se tornar realidade. #SíALaPaz, escreveu o presidente Santos em sua conta da rede social Twitter, antes de sua partida a Havana.

O comandante das FARC-EP, Timoleón Jiménez, escreveu na mesma rede social o seguinte: “Chegamos à mesa de conversações com a certeza da necessidade de Paz, interpretando o anelo das maiorias, nem vencidos nem derrotados”.

As delegações chegam a este momento com grande parte do caminho percorrido, em um processo no qual “nada está concordado até que tudo esteja concordado”, tal como expressaram as partes envolvidas em anteriores oportunidades. Os acordos atingidos em termos de desenvolvimento agrário integral, participação política, o problema das drogas ilícitas e reparação das vítimas dão fé disso.

HISTÓRIA DE UM CONFLITO

As atuais conversações, iniciadas em 19 de novembro de 2012 em Havana, avançaram como nunca antes nos esforços por terminar uma guerra que provocou o deslocamento de quase seis milhões de pessoas e a morte de 220 mil.

A Fundação Paz e Reconciliação recolhem as tentativas anteriores por finalizar um conflito de mais de cinco décadas.

Em 1982, o então presidente Belisario Betancur promoveu um projeto de anistia para desmobilizar os grupos guerrilheiros no país. Desses encontros saiu o primeiro acordo de cessar-fogo com as FARC (principal movimento insurgente fundado em 1964).

Entre os pontos de maior impacto esteve o reconhecimento das FARC como um ator político. Como consequência, nasceu a União Patriótica, o partido político desse grupo guerrilheiro.

Também pactuaram o cessar-fogo com o governo outras guerrilhas como o M-19 (Movimento 19 de abril) e EPL (Exército Popular de Libertação).

Em 1984, foi assinado o Acordo da Uribe entre o governo de Betancur e as FARC. Contudo, três anos depois, o descumprimento do governo, a falta de garantias para a vida política, os ataques e a presença cada vez mais forte dos paramilitares se impuseram aos anelos de reconciliação. União Patriótica foi exterminada.

A possibilidade de dialogar se concretiza em 1991 com Cesar Gaviria na presidência. A agenda estabelecida para as conversações em Tlaxcala, México com as FARC, o ELN (Exército de Libertação Nacional) e o EPL — agrupadas na Coordenadora Guerrilheira Simón Bolívar — e outros, incluía dez pontos. Desta vez, a administração de Gaviria concretizou acordos de paz com o Partido Revolucionário dos Trabalhadores (PRT), o Movimento Indígena Armado “Quintín Lame”; mas as FARC prosseguiram com a luta armada.

A estas tentativas seguiram anos de aproximação, mas sem estabelecer como tal um processo abrangente. Não foi até a presidência de Andrés Pastrana (1998-2002) que se desenvolveu outro diálogo com as FARC conhecido como o Processo de Paz do Caguán iniciado em 1999.

Com sua “Política de Paz para a mudança” o governo e a guerrilha contemplaram temas como direitos humanos, reformas políticas e agrárias, paramilitarismo, e outros. Esta tentativa fracassou, mais uma vez, devido à falta de decisão de ambas as partes e à improvisação. Em 20 de fevereiro de 2002 o processo concluiu e com este novo fracasso, esfumou-se o desejo da reconciliação nacional.

 

Anúncios

Publicado em 23/06/2016, em América Latina, Colombia, Cuba. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: