A 46a Assembleia da OEA, e a derrota de Almagro e EUA

A OEA, seu secretário geral Luis Almagro e seus patrões no Departamento de Estado em Washington sofreram uma importante derrota em suas pretensões de aplicar a ingerencista Carta Democrática contra a Venezuela durante a 46a Assembleia Geral, na República Dominicana.

Certamente os planos dos Estados Unidos contra a Venezuela encontraram uma sólida unidade dos países da ALBA e Petrocaribe, Almagro ficou absolutamente deslocado.


Deve ser levado em conta que, dos 34 países que integram esta organização multilateral, a moção apresentada pelo Secretário Geral da Organização de Estados Americanos (OEA) foi derrotada por 19 países que votaram pelo Não, enquanto 12 países votaram a favor da proposta de Almagro, dois se ausentaram e um se absteve.

Ao todo são 15 países que não apoiaram a Venezuela, o que deixou muito dividida a organização pan-americana.

Isto é, esta desprestigiada organização regional tem sofrido um sensível golpe e está praticamente dividida, quase 50% de seus membros desaprova a conduta de seu Secretário Geral, o que o desqualifica para continuar no cargo.

Mais ainda quando, violando os próprios princípios e regulamentos da OEA, se atreveu a convocar uma ação política e juridicamente inaceitável.

No entanto, não devemos deixar de reconhecer que a OEA ainda tem influência e poder em nossa região.

A proposta que Almagro apresentou teve o absoluto respaldo dos Estados Unidos e, sem ser adivinhador, se conhece que este país é quem patrocina e impulsiona uma intervenção na Venezuela.

A decisão do presidente Barack Obama, de considerar a Venezuela como uma ameaça à segurança nacional dos Estados Unidos é uma irrefutável prova, decisão que acaba de prorrogar por mais um ano.

Se os Estados Unidos não jogaram sua última carta contra a Venezuela é porque o cenário político-eleitoral interno lhe impede de apostar a fundo para conseguir apoio da OEA em suas posições ingerencistas.

Refiro-me a uma previsível intervenção militar, obviamente após as eleições e dependendo de quem for eleito. Veremos como administrarão os novos ocupantes da Casa Branca, tudo estará dependendo da conjuntura internacional, mas não deve ser descartado qualquer projeto ou plano dos Estados Unidos para eliminar a Revolução bolivariana.

O grande problema que tem o país do norte é que não estamos nos anos nos quais ditavam ordens aos presidentes da região.

Os povos têm adquirido consciência, em especial o povo bolivariano, e não devem subestimar que as ideias de Bolívar e Chávez estão presentes e seguramente terá uma grande oposição.

A insana matança de Orlando tem despertado, com o apoio dos meios de comunicação, uma onda de xenofobia e acentuado a política antiterrorista.

Isto pode pesar nos resultados eleitorais, sem deixar de reconhecer que qualquer dos dois candidatos que ganhe a poltrona presidencial não hesitará em tomar qualquer decisão frente a Venezuela.

Não devemos esquecer que o petróleo, gás e recursos minerais, incluindo o ouro, é demasiada tentação para o império.

Também lhe faltam outras peças chave para uma intervenção de caráter militar e respaldo da Carta Democrática, que entre outras são: que se consiga concretizar a paz na Colômbia. Isso eliminaria um grande obstáculo para uma aventura militar.

Outro elemento que devem esperar será o desfecho do julgamento de Dilma e sua permanência ou não na presidência do Brasil e que Mauricio Macri consiga se estabilizar na presidência.

Estes são elementos importantes para a tomada de decisões por parte dos Estados Unidos.

Ter presente que, apesar do ocorrido na República Dominicana com a derrota de Almagro, a direita fascista na Venezuela segue um plano, bem desenhado, os atos violentos em diversos estados venezuelanos contra supermercados e as tentativas de passar a imagem de caos é de velha data.

Não podemos esquecer o que fazia o Pátria e Liberdade, do fascista Pablo Rodríguez, no Chile de Salvador Allende, organizando distúrbios de rua, desabastecimentos promovidos pelos empresários, mercado negro, desvalorização da moeda.

É um evidente plano gringo, com seus matizes. (Dizer isto é uma verdade óbvia, mas é necessário recordar). A vitória do presidente dominicano Danilo Medina, ao solicitar que a OEA peça perdão por seu apoio e cumplicidade à injustificada e brutal intervenção militar dos Estados Unidos em 1965 em seu país é um fato político importante e um golpe não só contra a OEA, mas também contra os Estados Unidos.

Porém, após 51 anos daqueles fatos, não podemos esquecer que os ianques intervieram não só com a cumplicidade da OEA, mas com o mandato e amparado no vergonhoso Tratado Interamericano de Assistência Recíproca (TIAR) que hoje é na prática substituído pela não menos ingerencista Carta Democrática.

Nessa intervenção na República Dominicana, não podemos esquecer que o grosso das tropas foram gringas, mas teve também um importante destacamento militar brasileiro e de outros pequenos países de nossa região, pressionados pelos Estados Unidos.

Há um velho ditado que diz: “Roma paga, mas despreza os traidores”, esse tem sido o pagamento ao senhor Almagro, quando por solicitação do secretário de Estado John Kerry, se realizou em Dominicana um encontro com a digna chanceler venezuelana Delcy Rodríguez.

Kerry pediu à representante do povo bolivariano que seu governo desejava restabelecer o diálogo com o governo do presidente Nicolás Maduro.

O gesto público de Kerry é positivo, deixa sem chão as posições de Almagro, e é também um golpe contra a extrema direita venezuelana e seus dirigentes agrupados no Movimento de Unidade Democrática (MUD).

Porém, apesar dessa atitude, não podemos descansar, Estados Unidos modifica taticamente sua política mas sua conduta ingerencista estratégica segue intacta, a observamos nesta última década com formas e modalidades diferentes.

Assim temos o golpe de Estado em Honduras, sangrento e militar; golpe suave no Paraguai contra o governo de Fernando Lugo; manipulação midiática na Argentina para confundir e conseguir o triunfo de Mauricio Macri, um dos piores personagens desse país à presidência da Argentina.

Também o desenvolvimento de um golpe no Brasil, cujo final é até agora imprevisível. Fortes ataques e conspirações contra Evo Morales e Rafael Correa. E o triunfo presidencial no Peru de um homem que se declara aliado dos Estados Unidos.

Complexa e difícil situação interna na Colômbia diante da arremetida do fascista Álvaro Uribe Vélez, feroz inimigo da paz no país, quem lançou um movimento de coletas de assinaturas contra o processo de paz.

Enfim, um cenário bem complexo e sobre o qual hoje mais que nunca é necessário elevar a unidade e solidariedade com a Venezuela e o Brasil, e com todos os países que integram a ALBA, fortalecer a Celac, Unasul e todas as organizações multilaterais como a Associação dos Países do Caribe.

*Jornalista e analista internacional.

Prensa Latina

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Publicado em 22/06/2016, em OEA, Venezuela. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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