Projeto atlético e progressão rumo ao Rio de Janeiro

FOI um fim de semana marcado pelo ritmo do atletismo em duas latitudes. A Leste de Havana o estádio Panamericano foi a sede de outra edição da Copa Cuba, crucial no empenho de muitos atletas por conseguir as marcas exigidas para a sua classificação olímpica rumo ao Rio de Janeiro; entretanto, no Portland Convention Center, da cidade do mesmo nome, pertencente ao estado de Oregon, nos Estados Unidos, 547 atletas de 148 nações concorreram pela glória universal.

O certo é que, exceto nas provas combinadas no campeonato nacional e no salto com vara, na região nortenha, estes foram dois eventos sem muita notoriedade quanto à imposição de recordes.

Leonel Suárez mostrou ansiedade em cada prova. Em seu interior precisava quebrar o véu de incerteza que o cobria, depois que acumulasse 8.107 pontos na versão anterior da Copa Cuba, pois precisamente esse tempo levava sem completar um decatlo oficial.

Então mostrou a brilhante estirpe e desterrou todo temor, incluindo a lembrança de sua desqualificação nos Pan-americanos de Toronto 2015, quando não pôde concretizar nenhum salto com vara. Agora, converteu-se em campeão, com a marca olímpica de 8.347 pontos.

Sua sequência foi a seguinte: 11s30 segundos nos 100 metros (795 pontos); 7.40 metros no salto em distância (910); 13.74 metros no arremesso do peso (712); 2m06 no salto em altura (859); 49s72 nos 400 metros (828); 14s65 nos 110 metros com barreiras (892); 43.48 metros no disco (736), 4.80 metros no salto com vara (849), marca pessoal de 78.29 metros no dardo (1 016); e 4m29s20 nos 1.500 metros (750), os que serviram para enviar Yordani García (8068) à segunda colocação.

“Estou muito contente, após muito tempo sem concorrer por causa de minha recuperação, depois de ter sido operado do joelho, não tinha podido superar a barreira de 8.200 pontos. O decatlo, diferentemente de outras provas, tem poucos cenários competitivos fortes, e isso exige economizar as forças”, expressou Suárez.

“Ter conseguido essa marca aqui significa pensar em Gotzis, Áustria —competição fundamental dessa modalidade, em junho— com outra perspectiva. Aumentam as motivações, eu estarei focalizado em treinar tecnicamente, com vista aos torneios importantes que tenho, pois devido à ansiedade não consegui os pontos necessários. O objetivo de agora é sair à procura de um grande resultado, isso significará superar nos jogos olímpicos de Rio de Janeiro os 8.600 pontos”.

“A aspiração de muitos é estar nas finais, mas a minha é estar no pódio”, confirmou o atleta da província de Holguín que nas olimpíadas de Pequim, em 2008 e Londres, 2012 conseguiu a medalha de bronze.

No heptatlo, a atleta da província de Guantánamo, Yorgelis Rodríguez superou por segunda vez em sua carreira esportiva os 6.300 pontos. A jovem de 21 anos de idade superou suas marcas pessoais nos 110 metros com barreiras (13s58), salto em altura (1.87 m), o arremesso de peso (14.64 metros) e nos 800 metros (2:16.60 minutos).

A esse respeito confessou: “Teria gostado de bater o recorde nacional. Comecei muito bem, mas o salto em distância, um dos meus fortes, foi falido. Perdi 150 pontos nessa modalidade (unicamente atingiu os 5.78 e seu maior pulo tem sido de 6.35m). Acontece que estou mudando os apoios na tomada de impulso e ainda não sinto um total conforto”.

A lançadora de disco Yaime Pérez conseguiu 66.28 metros e novamente mostrou estabilidades acima dos 66 metros, uma marca só accessível para poucas atletas da elite.

Em outros enfrentamentos Reynier Mena (10s23) venceu in extremis seu compatriota Yaniel Carrero (10s24) nos 110 metros; Yirisleydi Ford (70.73 m) reinou no martelo; Yoandys Lescay (46s56) ganhou os 400 m, imitado por Roxana Gómez (53s06). Os restantes campeões foram, entre outros, a arremessadora Yaniuvis López (18.62 m), o lançador de dardo Guillermo Martínez (77.40 m), Dulaimi Odelín (11s73) nos 100 metros; Juan Miguel Hechevarría (7.93 metros) e Paula Álvarez (6.36) em salto em cumprimento. Por outra parte Roberto Skyers (20s42) demonstrou suas potencialidades nos 200 metros e Andy González (1m46s35) praticamente só nos 800 metros, paquerando com os 1m46s00 exigidos pela IAAF para se inscrever na olimpíada do Rio de Janeiro.

A Copa Cuba marcou o completamento do primeiro período de preparação, rumo aos próximos jogos olímpicos no Brasil. O chefe técnico da Federação Cubana Daniel Osorio, explicou que os principais expoentes da pré-seleção viajarão proximamente para estabelecer bases de treinos em três destinos: os corredores de 400 metros, 400 metros com barreiras e 800 metros viajarão a Puebla, México, para procurar otimizar suas capacidades aeróbias; os atletas de saltos e arremessos e ainda as provas combinadas, se estabelecerão na cidade azteca de Monterrey; entretanto os velocistas e corredores com barreiras curtas terão a República Dominicana como destino.

PORTLAND NO OLHAR

Falávamos de Portland e dos expoentes do salto com vara Renaud Lavillenie (França-6.02 m), e a anfitriã Jennifer Suhr (4.90) em qualidade de campeões e recordistas para o certame.

Estados Unidos (13 de ouro, seis de prata e quatro de bronze) brilhou no certame, seguidos pela Etiópia (2-2-1), França (1-1-2) e a Jamaica (1-1-1) entre as 13 nações, que ao menos ganharam alguma medalha.

Cuba inscreveu Mary Almanza nos 800 metros (meio-fundo) e os corredores com barreiras Yordan O’Farrill e Jhoanis Portilla, mais não obtiveram medalhas nesta ocasião.

Deles só o atleta da província de Camaguey, O’Farrill (7s69 nas preliminares dos 60 metros com barreiras) pôde avançar até as semifinais, mas nessa instância foi eliminado, ao ficar na quinta colocação, com um tempo de 7s67.

Nem Portilla (7s77) igualmente nas barreiras, nem Almanza (2m08s07) nos 800 metros passaram das eliminatórias, nas corridas dominadas pelo jamaicano Omar McLeod (7s41 e líder da temporada), e Francine Niyonsaba (2m00s01), de Burundi, respectivamente.

Outros campeões do torneio foram, no salto triplo, a venezuelana e discípula do cubano Iván Pedroso, Yulimar Rojas, quem conseguiu o ouro com 17.41metros; o chinês Bin Dong (17.33 m) na própria prova; o italiano Gianmarco Tamberi (2.36 m) no salto em altura; o local Boris Berian (1m45s83) líder do ranking dos 800 metros; e os corredores anfitriões Trayvon Brommel (6s47), e Barbara Pierre (7s02 segundos) nos 60 metros.

Publicado em 25/05/2016, em Cuba. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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