Fim do bloqueio contra Cuba, reivindicação dos cinco continentes

O debate de alto nível da Assembleia Geral da ONU reiterou neste ano o rechaço mundial ao bloqueio estadunidense contra Cuba, a poucas semanas da nova votação nesse foro de uma resolução que reivindica sua suspensão.

 

 

Entre os dias 28 de setembro e 3 de outubro, 47 chefes de Estado, de Governo e outros altos funcionários dos cinco continentes defenderam no debate geral o fim do cerco econômico, comercial e financeiro vigente por mais de meio século.

Novamente o tema esteve entre os mais tratados pela comunidade internacional na Assembleia, em um planeta marcado por conflitos, crises e desafios como a mudança climática, a busca da paz e o desenvolvimento sustentável.

Na voz de muitos presidentes ouviram-se em relação ao bloqueio qualificações de anacronismo, injustiça, obstáculo ao desenvolvimento, medida coercitiva unilateral, ato sem sentido e asfixia para o povo cubano.

Os chamados a deter as sanções contra a ilha tiveram lugar a menos de um mês da apresentação ante a Assembleia Geral das Nações Unidas da iniciativa que pede a Washington pôr fim ao castigo, prevista para o dia 27 de outubro.

Trata-se de um texto similar ao que desde 1992 recebe o respaldo majoritário do mundo, com 188 das 193 nações membros da ONU lhe dando seu apoio nos últimos dois anos, com a isolada rejeição dos Estados Unidos e Israel.

Desde a primeira intervenção na plenária do principal órgão deliberativo da ONU, realizada pela presidenta brasileira Dilma Rousseff, até os discursos finais, no sábado, 3 de outubro de 2015, líderes dos cinco continentes pediram a suspensão do bloqueio imposto oficialmente em fevereiro de 1962 pelo então presidente norte-americano John F. Kennedy.

“Nossa região, onde reina a paz e a democracia se alegra da restauração das relações diplomáticas entre Cuba e Estados Unidos e com esta ação se põe fim a uma política que provém da guerra fria que deve culminar com o fim do bloqueio a Cuba”, afirmou Dilma Rousseff.

Por sua vez, o primeiro-ministro de San Vicente e Granadinas, Ralph Gonsalves, advertiu que “há bem mais por fazer para desencadear o povo cubano das correntes de um bloqueio injusto, ilegal e claramente antiquado”. Também os presidentes da Venezuela, Nicolás Maduro; Equador, Rafael Correa; Panamá, Juan Carlos Varela; Sérvia, Tomislav Nikolic; Moçambique, Jacinto Nyusi; México, Enrique Peña Nieto; Gabão, Ali Bongo Ondimba; Bolívia, Evo Morales; Uruguai, Tabaré Vázquez; e Namíbia, Hage Geingob, entre outros, reivindicaram o fim do cerco.

Por sua vez, no púlpito, a ministra de Estado de Níger, Aichatou Boulama Kané, pediu para aproveitar os 70 anos das Nações Unidas para suspender o bloqueio, enquanto o chefe de Estado sul-africano, Jacob Zuma, alertou que a medida estadunidense limita a liberdade econômica dos habitantes da maior das Antilhas.

Para o líder de Gana, John Dramani Mahama, o cerco que sofre Cuba constitui um “resquício da Guerra Fria” que deve ser eliminado.

Angola, Vietnã, Vanuatu, Laos, Trinidad e Tobago, Guiné Equatorial, Benin, Timor-Leste, Antigua e Barbuda, Lesoto, Camboja, Ilhas Salomão, Barbados, Burquina Faso, Síria, Belize, Jamaica, São Tomé e Príncipe, Congo, Granada, Tuvalu, Santa Luzia, Peru, Guiné-Bissau, Guatemala, Suriname, El Salvador e Dominica somaram-se na Assembleia ao reclame.

O próprio presidente estadunidense, Barack Obama, reconheceu que o bloqueio estabelecido pela Casa Branca não tem cabimento, e pediu novamente ao Congresso norte-americano a lhe pôr fim.

Com a entrada em vigor em 1996 da Lei Helms Burton, a malha de sanções contra a ilha converteu-se em lei, e corresponde ao Capitólio sua total suspensão.

Ao intervir no segmento de alto nível da Assembleia Geral, o chefe de Estado e de Governo de Cuba, Raúl Castro, denunciou a vigência do bloqueio e a necessidade do cessar das injustas e unilaterais sanções.

Além disso, ratificou que Havana continuará promovendo na ONU a votação da resolução que desde 1992 exige o fim do cerco.

“Enquanto persista, continuaremos apresentando o projeto de resolução intitulado Necessidade de pôr fim ao bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos da América contra Cuba”, sublinhou.

A nova votação gera particulares expectativas, sobretudo pela posição que adotará Washington, depois que Obama pediu várias vezes ao Congresso a eliminação do bloqueio.

Segundo o relatório de Cuba, a propósito do castigo de Washington, considerando a depreciação do dólar frente ao valor do ouro no mercado internacional, o impacto econômico do mesmo ascende a 833.755 bilhões de dólares.

Em relação aos danos humanos, a ilha considera que é impossível quantificar os impactos de uma política que impede o acesso a medicamentos, equipamentos, peças de reposição e tecnologias para salvar a vida de crianças, idosos, mulheres e homens.

O debate geral da Assembleia também ratificou a aprovação da comunidade internacional à aproximação entre Estados Unidos e Cuba.

Aproximadamente 65 governos celebraram a restauração de vínculos diplomáticos e a reabertura de embaixadas, materializadas por Havana e Washington no último dia 20 de julho.

Transbordaram as felicitações aos presidentes Obama e Raúl Castro pelos passos dados e os reconhecimentos ao novo cenário bilateral como um exemplo do valor do diálogo para resolver diferenças.

“Devemos dar as boas-vindas a alguns fatos diplomáticos recentes que proporcionam centelhas de esperança nas relações internacionais. A restauração das relações diplomáticas entre os Estados Unidos e Cuba é, sem dúvida, um grande avanço histórico”, afirmou o presidente haitiano, Michel Martelly.

A presidenta da Libéria, Ellen Johnson Sirleaf, também qualificou de importante acontecimento que ambos países decidissem resolver suas diferenças com a retomada de vínculos.

“Claro que há motivos para a esperança. O acordo nuclear com o Irã e a restauração de relações diplomáticas entre Estados Unidos e Cuba demonstram que situações estagnadas durante demasiado tempo são suscetíveis de solução dada a boa vontade das partes e Espanha os felicita por isso”, disse o chanceler espanhol, José Manuel García Margallo.

A propósito da aproximação, o líder cubano Raúl Castro sublinhou que ocorre depois de 56 anos de heroica e abnegada resistência do povo da ilha.

“Agora se inicia um longo e complexo processo para a normalização das relações, que será alcançado quando se pôr fim ao bloqueio econômico, comercial e financeiro; devolverem a Cuba o território ocupado ilegalmente pela Base Naval de Guantánamo; cessarem as transmissões radiais e televisivas e os programas de subversão e desestabilização contra a ilha, e compensarem nosso povo pelos danos humanos e econômicos que ainda sofre”, sentenciou.

Fonte: Prensa Latina

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Publicado em 19/10/2015, em América Latina, Cuba, Cuba- bloqueio, Cuba-EUA, Pátria Grande, Político e marcado como , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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