Visita do Papa estanca desestabilização inclusive de Dilma

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 Por FC Leite Filho

A ofensiva midiática para defenestrar os presidentes progressistas da América Latina e promover a volta do neoliberalismo, a qual também inclui o aviltamento do Papa Francisco, sofreu pelo menos quatro reveses esta semana: o esvaziamento da campanha pelo impeachment de Dilma, no Brasil; a consolidação do candidato de Cristina Kirchner como nome favorito a sagrar-se em primeiro turno da eleição de 25 de outubro, na Argentina; o acordo obtido, no Equador, pela Celac e Unasul para que os presidentes da Venezuela e Colômbia superem as tensões na fronteira; e o périplo do Papa, primeiro, em Cuba, onde, ao chegar, mandou um abraço a Fidel Castro, e, depois, nos Estados Unidos, onde foi recebido ao pé do avião por Obama, a esposa Michelle, as duas filhas adolescentes e a mãe de Michelle, Marian Robinson; o vice-presidente Joe Biden, a mulher Jill e duas de suas netas, além de milhares de pessoas que se concentras na Base Aérea de Andrews, próxima a Washington.

Estes episódios são significativos na medida em que repõem a verdade factual e desmontam falácias, que, de tão repetidas, podem, num primeiro momento, impressionar os desavisados. Entre as falsidades mais maciçamente difundidas estão as de que o Brasil virou um caos por ter reelegido Dilma Rousseff, em 2014, razão pela qual a presidenta deveria ser de pronto apeada do poder. Os acontecimentos mais recentes, porém, vieram demonstrar que o governo Dilma não padece de qualquer descalabro e que nenhuma força política mostrou-se capaz de aplicar-lhe o impeachment. Tampouco se abateu sobre o Palácio do Planalto a desestabilização pretendida pelos setores rancorosos da oposição. Dessa forma, a conclusão dos analistas mais criteriosos é de que a presidenta tende a continuar governando, por mais apopléticos que se apresentem seus adversários.

O poder de fogo da mídia, seriamente afetado pela diversidade de vozes propiciada pela internet, foi igualmente incapaz, não obstante toda a sua virulência, de derrubar ou mesmo esvaziar a presidenta argentina. Cristina Kirchner sobreviveu sobranceira e incólume a oito anos de intenso bombardeio, despejado por uma conjugação de forças poderosas que incluem os grupos de comunicação Clarín e La Nación, a Sociedade Rural, os grandes empresários, as multinacionais, parte da Igreja Católica e a embaixada dos Estados Unidos. Foi tal o acerto de sua política de inclusão social e de soberania, que o país vizinho ostenta hoje uma das economias mais sólidas e um processo de desendividamento de fazer inveja a muitas nações europeias. Por causa de sua administração exitosa outros setores, sobretudo na educação, na saúde e na tecnologia, ela desfruta de enorme apoio popular e candidato presidencial de seu partido, o peronista Frente para a Vitória, Daniel Scioli, desponta como franco favorito desde que foi lançado há cerca de três meses.
Outro golpe duro na estratégia para reavivar o neoliberalismo foi a tentativa de promover uma guerra entre a Colômbia e a Venezuela, como forma de justificar uma intervenção estrangeira e depor o governo bolivariano de Nicolás Maduro. Mais uma vez intervieram a CELAC (Comunidade dos Estados Latino-americanos e Caribenhos) Unasul (União das Nações Sulamericanas), as quais, ao contrário da OEA (Organização dos Estados Americanos) não têm sede em Washington nem os Estados Unidos como membro, e levaram os presidentes Maduro e Juan Manuel Santos a um entendimento para encaminhar a questão fronteiriça dos dois países, que vinha minando a economia e a estabilidade venezuelana, pela atuação de contrabandistas, paramiltares e mafiosos.

Finalmente, a mensagem renovadora e humana do Papa Francisco teve um eco estupendo, em sua primeira passagem por Cuba, quando falou ao povo e aos dirigentes da ilha revolucionária, ainda firmemente governada por Raul Castro, sob o signo do comandante revolucionário Fidel. Francisco não só insistiu como aprofundou sua pregação em defesa dos menos favorecidos. Ela ali alcançou seu grande momento, desde a ascensão de Jorge Mario Bergoglio ao Vaticano, em 2013. O Papa que agora já se encontra em terra estadunidense, onde foi calorosamente recebido por uma massa humana e as famílias do presidente Barak Obama e do vice-presidente Joe Biden. Lá, passará seis longos dias, durante os quais, além de oficiar missas para o grande público, falará ao Congresso Americano, em Washington, à Assembleia da ONU, e finalizará com uma peregrinação a Pensilvânia, a cidade onde foi proclamada a independência das então 13 colônias americanas da Inglaterra. Será que apesar de toda essa recepção na grande potência capitalista, os semeadores do ódio encontrarão terreno fértil para continuar chamando Francisco de Papa Comunista ou Papa Bolivariano e pregando a ruptura da ordem constitucional para depor presidentes progressistas latino-americanos democraticamente eleitos?

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Publicado em 23/09/2015, em América Latina, Cuba, Cuba-EUA, Pátria Grande, Político e marcado como , , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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